Jânio Quadros

Publicado em 27/10/2018 00:10

O nosso herói de hoje, Jânio da Silva Quadros, era advogado e foi presidente do Brasil de janeiro até agosto de 1961. Político dos mais controvertidos e polêmicos que o país já teve. A sua marca registrada era uma vassoura que simbolizava varrer a sujeira que ele imaginava existir na política nacional.
Jânio também era professor de Português e de Geografia. E como tal, respeitava a norma culta de nossa língua em declarações, bilhetes, cartas, documentos, em tudo o que dizia e escrevia. Muitas de suas frases, citações e aforismos ficaram célebres como tiradas geniais. Uma delas é ‘Fi-lo porque qui-lo!’ que numa entrevista mais tarde, ele próprio afirmou que tal frase estava incorreta gramaticalmente (o que é verdade) e, se a dissesse, diria: ‘Fi-lo porque o quis’.
Quando era presidente, um repórter lhe perguntou porque bebia tanto e, sem pestanejar, respondeu com uma de suas memoráveis frases: ‘Bebo-o porque é líquido, se fosse sólido comê-lo-ia’.
Quando foi eleito prefeito de São Paulo em 1985, antes de sentar na cadeira do gabinete pulverizou a poltrona com Neocid e disse: ‘Densinfeto porque nádegas indevidas se sentaram nela’. Quem havia sentado ali, na véspera das eleições, tinha sido o outro candidato, Fernando Henrique Cardoso.
Ao ser entrevistado sobre a polêmica dos homossexuais do Teatro Municipal, uma jovem jornalista de um determinado jornal de primeira linha o interrompeu. Imediatamente, Jânio lhe respondeu com esta pérola: ‘Intimidade gera filhos e aborrecimentos. Com a senhora não quero ter aborrecimentos e, muito menos filhos. Portanto, trate-me de senhor’.
Em 25 de agosto de 1961, na sua renúncia como presidente do Brasil escreveu: ‘Nesta data e por este instrumento, deixando com o ministro da Justiça as razões do meu ato, renuncio ao mandato de presidente da república’.
O nosso herói de hoje é tão atual que uma de suas frases pitorescas, repetida pelo deputado Eduardo Bolsonaro, foi motivo de revolta da corte de juízes do supremo deste século: ‘Por alguns segundos pensei em fechar o Congresso. E ter-me-iam bastado um cabo e dois soldados’, disse o ex-presidente em agosto de 1985 ao ser inquirido sobre a sua renúncia. Neste expediente, até a grande mídia, desinformada, ao fazer um ‘cavalo de batalha’ com a frase de Jânio, comeu barriga.
A palavra é extraordinariamente poderosa. Ela é dúctil. Ela pode ser boa e pode ser má. Ela pode ser suave e pode ser áspera. Ela pode ser franca e pode ser velada. Ela pode ser honesta e pode ser malévola. A palavra em si tem mesmo o fogo da inspiração divina. De sorte que as palavras podem ser temíveis sim, e podem voltar-se contra quem as utilize. Elas são armas de dois gumes. Daí o cuidado que devemos ter no usá-la; esse dom divino não nos veio gratuitamente, ele nos veio com a razão, com a experiência e com o estudo’.

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