Juiz de futebol e Juiz de Direito

Publicado em 11/09/2021 00:09

Considerando que a política no Brasil é jogada nas quatro linhas do campo, quem seria o árbitro da partida?
Se fosse um juiz de futebol uma coisa é certa: o homem de preto fecharia os olhos para as faltas cometidas pelos jogadores do time de sua preferência e não deixaria passar qualquer deslize do time adversário, sem a devida reprimenda. A torcida, na mesma hora, se manifestaria chamando-o de juiz ladrão.
Se fosse um juiz de direito que apitasse o jogo da democracia, a situação mudaria. Ao magistrado parcial não se poderia chamar de ladrão senão levaria cartão vermelho e iria preso. O homem de preto só poderia ser designado supremo, apesar de suspeito.
O juiz de futebol ladrão deveria sair do estádio devidamente escoltado, pois correria o perigo de ser apedrejado pela torcida da equipe que havia sido prejudicada pela sua parcialidade.
O magistrado parcial não deveria sair escoltado dos vestiários nem seria apupado nas ruas. Apesar do seu procedimento incorreto, seria repudiado pela galera no mais absoluto silêncio. Os torcedores que apontassem o dedo condenatório na direção do magistrado parcial poderiam ser levados à prisão.
Em relação aos juízes, a imparcialidade é obrigatória. O juiz é o fiel da balança. Deve inspirar confiança e merecer o respeito, mesmo daquele time perdedor numa causa partidária que, em outras palavras, seria personagem invisível no jogo.
O juiz implacável, que se apresenta todo poderoso, aquele que sacia a sua sede de vingança contra a liberdade de expressão, por exemplo, pode receber uma compreensível reação popular mesmo sendo apoiado pela mídia marrom. Nem sempre o comum dos mortais conhece a Ética que deve reger a magistratura.
O papel de acusar, de buscar provas incriminadoras cabe ao VAR, representado pelo Ministério Público. Esse órgão merece aplausos quando desvenda a verdade para encontrar a prova condenatória de um impedimento ou pênalti.
O juiz tem o dever ético de ser imparcial. É o fiel da balança. O juiz, que trai a imparcialidade para obter a homenagem dos holofotes e as manchetes dos jornais, é um impostor e merece repúdio.
Ainda que a galera bata palmas ao juiz parcial, sabe ele que muitos torcedores, bem informados a respeito do figurino constitucional, condenam seu procedimento abjeto e sentem indignação ao ver seu rosto espelhado em Judas.
Os juízes que hoje estão na mídia, se patrocinados por interesses escusos, amanhã serão completamente esquecidos, mas provocam uma insegurança judiciária no povão da bola.

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