Laboratório – Vacina da Covid-19 – Quem vai receber primeiro

Publicado em 15/08/2020 00:08

Com as expectativas elevadas pela chegada da vacina contra a Covid-19, o questionamento que mais aflige as autoridades e a população é sobre quem deve receber as doses primeiro. O Ministério da Saúde já está começando a discutir quais serão os critérios usados e, de acordo com divulgação recente, devem ser os mesmos aplicados à vacinação da gripe, provocada pelo vírus influenza.
Estamos falando de uma doença que afetou o mundo inteiro. Existe diferença entre o mundo ideal e o real. Temos 7 bilhões de pessoas no mundo e o ideal seria que vacinássemos o mundo inteiro. Infelizmente não temos essa possibilidade. No Brasil, a estratégia que usamos é a da Influenza, uma estratégia em que a gente vai fazer uma cobertura vacinal para Influenza, afirmou Arnaldo Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde.
No entanto, essa decisão acaba divergindo dos critérios de risco do novo coronavírus. Para a vacinação contra a gripe comum, por exemplo, crianças também estão no grupo de risco, recebendo prioridade, o que não acontece com a Covid-19. Fernando Hellmann, pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina declarou que doenças diferentes requerem estratégias diferentes. Quando a vacina chegar, ela deve ser dada para que se restabeleça a igualdade de oportunidades em sobreviver à Covid-19 em todos os brasileiros. A gente sabe que ela mata mais a população idosa, doentes crônicos, indígenas, negros e pobres. E por isso eles devem ser prioridade, diz o especialista. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, Ricardo Gazzinelli, a definição dos grupos prioritários deve ser definida em combinação a uma hierarquia de áreas de acordo com a gravidade das epidemias, determinando regiões com mais casos graves e transmissões.
Existe um projeto de lei em trâmite, do deputado Wolney Queiroz, do PDT de Pernambuco, que pede para que a definição da ordem da prioridade seja: profissionais de saúde; idosos com mais de 60 anos; pessoas com comorbidades; profissionais da educação; atendentes de público em órgãos públicos e empresas privadas; jornalistas; pessoas saudáveis de idade inferior a 60 anos. Ainda assim, deverá ser levado em conta na classificação das prioridades, os voluntários dos testes que receberam a dose placebo, pois isso faz parte dos compromissos éticos de qualquer pesquisa de saúde.
O principal motivo que leva os governos a definirem quem deve ser vacinado primeiro é a escassez, uma vez que o mundo inteiro irá precisar da vacina contra o SARS-CoV-2 e podem faltar não só a quantidade de doses necessárias, como materiais, desde agulhas e frascos.

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