Luiz Melodia, Pérola Negra da MPB

Publicado em 12/08/2017 00:08

O nosso herói de hoje, o grande cantor e compositor Luiz Melodia, foi uma das vozes mais deliciosas, inconfundíveis e insubstituíveis da MPB.
Confirmando a fama de aziago, agourento, nefasto, agosto, mês do desgosto, começa salvando Temer e levando de nós ninguém menos que o Negro Gato, a Pérola Negra ou o Estácio, Holly Estácio, imortalizado pelo verso que diz “se alguém quer matar-me de amor/que me mate no Estácio.
Gênio precoce, em 1973, aos 22 anos, explodiu como grande letrista com Pérola Negra, canção e disco homônimo, lembrado como um dos melhores da MPB de todos os tempos. As canções deste disco ainda estão entre as mais conhecidas do seu repertório, como Magrelinha, Estácio, Holly Estácio, Juventude Transviada, tema da novela Pecado Capital, de Janete Clair, com Francisco Cuoco e Betty Faria, de 1975, na Globo. Os versos “lava roupa todo dia/que agonia fizeram parte da adolescência de muitos brasileiros que cresceram naquela época com “o auxílio luxuoso de um pandeiro”. Em O Dono do Mundo, de Gilberto Braga, em 1991, novamente o nosso herói foi sucesso com Codinome Beija-Flor, de Cazuza.
Luiz Melodia foi casado durante 40 anos com Jane Reis, também cantora e compositora. Tiveram o filho Mahal, rapper, hoje com 37 anos.
Nós pobres cantores de bares, serestas e até de velório, sempre estamos cantando as suas composições e as músicas do seu repertório como Gente Humilde, de Garoto, Chico Buarque de Holanda e Vinícius de Moraes; Quase Fui Lhe Procurar, de Roberto Carlos; A Voz do Morro, de Tom Jobim e Diz Que Fui Por Aí, de Zé Keti.
Hoje que ficamos mais pobres no cenário musical brasileiro, vamos ficar com a definição de Melodia construída num momento de muita inspiração do jornalista Luiz Carlos Maciel: “Grande poeta e grande músico, a mais aberta, fulgurante e doce sensibilidade do instante fugaz e renovado do momento, ao fluxo eterno, mundano e cósmico de todas as coisas, que pode ser encontrada no atual panorama da música popular brasileira nos vai deixar muita saudade. Adeus, gato eletrônico, reencarnação de grandes poetas de civilizações das quais perdemos toda e qualquer notícia”.

Última Edição