Natal, Ano novo, tempos de eternidade…

Publicado em 23/12/2017 00:12

Você notou que o tempo está passando mais rápido do que antigamente? Mas, no nosso tempo de criança, demorava muito para chegar o dia de Natal. E o Ano Novo, então? Para gente deixar de andar de calça curta parecia nunca chegar… E atingir a idade de 18 anos? Era uma eternidade.
Vamos refletir agora sobre o tempo. Será que ele é cíclico? Ou estamos enganados. Será que o tempo é contínuo tal qual um rio que nasce no passado, passa pelo presente e corre para o futuro?
Pode parecer poética essa imagem do rio extrapolada ao tempo. O tempo é apenas uma maneira das pessoas medirem uma transformação, um fenômeno, um processo. É como a mudança de estado da água. No estado sólido o gelo que se funde em água, e por evaporação se transforma em gás, que se liquefaz em água para se solidificar como gelo novamente, fechando o ciclo do processo. Tal como diz a bíblia em Gênesis 3,19 Eclesiastes 3,20 – Do pó viemos e do pó voltaremos.
Na mudança de estado uma coisa vai se transformando em outra. Segundo Lavoisier – “Na natureza nada se cria, tudo se transforma”. As coisas parecem ter começo e fim apenas porque medimos alguma parte de um processo que, na verdade, é contínuo. Se as coisas fossem estáticas, imutáveis, o tempo não existiria.
Por exemplo, um panetone. Parece que tem começo, meio e fim. O padeiro faz a massa, põe no forno e, depois de um tempo, o panetone fica pronto. Aí, alguém compra e consome. O que aconteceu? O panetone acabou-se, mas o processo de fazê-lo se repete indefinidamente. O panetone foi apenas um pequeno evento no infindável processo de produzir e comer panetone no Ano Novo. Como vimos, os processos são circulares e, portanto, infinitos.
O que podemos dizer do Natal? Para os cristãos o Natal não é apenas o aniversário de Cristo. Eles creem que Cristo renasce a cada ano. Os antropólogos chamam a isso de “tempo mítico”.
Mas se um dia o nosso amigo Sol deixar de ser a pacata estrela amarela que é hoje e se transformar numa gigante bola vermelha e engolir o planeta? Aí, adeus tempo infinito, tempo cíclico, tempo mítico… Adeus eternidade!
Bem que eu poderia falar sobre o infinito processo que cria e destrói universos, falar do “eterno retorno…” Mas isso é apenas especulação filosófica. Vivemos os tempos eternos? A resposta pode ser comparada a definição poética inspirada em Vinicius de Morais: “Assim como o amor, todo processo é eterno, enquanto dure…”

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