Nicina

Publicado em 2/11/2019 00:11

A nossa heroína de hoje é D. Maria Eunice Moreira Sanches, Nicinha, também conhecida por Madrinha ou Comadre, nasceu em Martinópole-CE aos 10 de novembro de 1935. Prestes a completar 84 anos, a história dessa mulher de uma bondade extrema, extrapola os limites de uma simples personagem do nosso cotidiano. Caçula de uma família de sete irmãos é exemplo de pessoa solidária, que recebe as pessoas em sua casa com amor e carinho. Dos irmãos, apenas ela e Adalgisa estão vivas. Filha de Francisca Marques e Valdomiro Moreira da Costa, em 1940 viajaram de navio para chegarem ao Estado de São Paulo. Assim, passando por Rio Preto, Tanabi, Estrela d’Oeste chegaram em Santa Fé do Sul. Seus pais foram fundadores, em 1950, da Casa Moreira, o primeiro comércio de secos e molhados da região. Em 1955 ela se apaixonou por um “farmacêutico” de Nova Granada que trabalhava na Farmácia Santa Fé, do Santino. Foi no dia em que José Sanches Duran foi aplicar uma injeção no avô da donzela, a agulha do cupido espetou também o coração de Nicinha, e o casamento aconteceu. Sanches montou a Farmácia Popular em Santa Rita d’Oeste junto com a casa e assim os pombinhos foram morar naquela cidade. O estabelecimento parecia um ambulatório médico com atendimento 24 horas. O meu compadre Valdomiro Castilho, que naquela época era adolescente e trabalhava como aprendiz de botica, conta que as internações no local eram frequentes. Dona Nicinha era quem fazia os chás e as canjas para serem servidos no “pronto socorro”. Anos depois, o seu marido Sanches se meteu na política. Após de se eleger por duas vezes como vereador, seguiu a carreira política que estava no seu sangue e se elegeu prefeito da cidade por três vezes. Nicinha nunca se portou como primeira dama do município. Pelo contrário foi ela quem ajudou toda a população com trabalhos voluntários. A sua casa jamais tinha chave, aliás a porta estava sempre aberta para as pessoas necessitadas. Como na cidade não havia hotéis ou pousadas, professores, funcionários públicos, padres, bispos e outros trabalhadores se hospedavam e tomavam refeições na sua residência. Até políticos famosos como Carvalho Pinto, Orestes Quércia, Laudo Natel e Paulo Maluf se deliciaram com o seu famoso vatapá. Nicinha foi catequista, cantava no coral da igreja, benzia as pessoas, comandava a novena de Nossa Sra. do Perpétuo Socorro, dava avisos de falecimento, fazia sapatinhos de tricô para todos os recém-nascidos, ajudava a escolher os nomes das pessoas no cartório e era anfitriã do reveillon feita para o povo em sua casa. Durante 12 anos, no ano novo, visitou as famílias da colônia japonesa. Os adversários políticos gostavam dela, também, Nicinha, além de tudo, era fiscal de renda.
Hoje Dona Nicinha recebe o carinho da filha primogênita Lauri Francis, dos filhos Luiz Flávio e Luiz Fernando, das netas Lauana (in memoriam), Laiane, Isabela e Ana Elisa e parentes além de uma legião sem fim de conhecidos, amigos, amigas, comadres, compadres, considerando que a nossa heroína possui mais de dois mil afilhados espalhados por este mundo de Deus!

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