O Brasil ainda tem jeito

Publicado em 13/10/2018 00:10

A corrupção nunca esteve tão escancarada no Brasil. Os esquemas, as mentiras, as desmentiras e as consequências da realidade que o país tem vivido, sejam econômicas, políticas ou morais, podem passar a sensação de impunidade.
O brasileiro deve andar desesperançoso, talvez até mesmo duvidando que os rumos da política possam se acertar. Dizem que a corrupção que vemos por aí começa nos pequenos atos, nas infrações menores que cometemos em nosso dia a dia.
É bem possível que a esperança e a honestidade também façam morada nos tais pequenos atos, como a história a seguir nos faz crer:
Acreditem se quiserem. Distraído, recolhi a lista de mercado que a rainha do lar me passou e fui ao Proença. Aproveitei porque era a inauguração daquele hipermercado na cidade.
Carrinho cheio, escolhi a fila dos preferentes – para alguma coisa, a idade tem de contar – e, na minha vez, inscrevi o número de meu CPF (já até decorei) na maquininha e, ao procurar o cartão de crédito, dei-me conta de ter esquecido. Naquele dia, até aquela hora não havia esquecido de nada. Muito sem graça, expliquei a situação ao caixa e perguntei se seria possível eu encostar o carrinho e correr em casa para recuperar a carteira, sem que precisasse de novo percorrer o mercado em busca de meus produtos. Nisso, o senhor, que vinha logo atrás de mim na fila, pergunta: – Quer que eu pague a conta? – Perdão, não entendi. – Quer que eu pague conta? Repetiu e explicou: – Isso já aconteceu comigo, deixa eu pagar sua conta. O que mais me impressionava era o tom de prestatividade solidária com que ele embalava o gesto inaudito. Nem se preocupou em mencionar como e quando eu devesse pagar-lhe de volta. Confesso que a perplexidade me imobilizou. Salvou-me do constrangimento para que o caixa me liberasse o carrinho logo ali e resolvesse o débito tão logo retornasse. Agradeci aos dois, despedi-me do gentil senhor e, no tom mais cordial possível, mais uma vez dispensei-o do oferecimento. Parti convencido de que, apesar dos pesares, o Brasil ainda tem jeito!

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