O poderoso príncipe

Publicado em 1/12/2018 00:12

Querido leitor, como simples mortal, você se submeteria ao poder absoluto, esse que os políticos de hoje gostariam de ter? Em outras palavras, você gostaria de ser o rei da cocada branca no pedaço?
Um dos primeiros a formular ideias a esse respeito foi o pensador italiano Nicolau Maquiavel que viveu no século XV. Durante este período, Maquiavel observou atentamente as diversas disputas políticas deflagradas entre os diversos reinos espalhados pela Península Itálica. Ao observar a instabilidade gerada pelos recorrentes conflitos entre esses reinos, o teórico florentino começou a pensar sobre como seria possível o rei se manter no poder em meio às mais variadas adversidades.
A partir dessa preocupação ele concebeu “O príncipe”, uma de suas mais proeminentes obras políticas. Em meio a suas reflexões, Maquiavel instaurou o trabalho com os conceitos de Virtude e Fortuna. O primeiro era concernente à capacidade do governante em escolher as melhores estratégias para o fortalecimento de seu poder. Já a Fortuna, se dirigia aos imprevistos que poderiam supostamente limitar o poder de ação do rei.
Para Maquiavel, o governante hábil deveria equilibrar a Virtude e a Fortuna para poder garantir seus interesses. No entanto, para que esse equilíbrio fosse possível, o pensador sugeriu que os valores morais impostos pela fé e pela sociedade não poderiam restringir a ação do rei. Com isso, Nicolau Maquiavel promoveu a cisão entre Moral e Política tecendo sua célebre frase, onde pregava a ideia de que “os fins justificam os meios”.
Apesar das inúmeras frases que proferiu sobre o homem e a política, Maquiavel, pessoalmente não era maquiavélico, como se diz das pessoas sem escrúpulos.
Sobre o homem público dizia que o primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que tem à sua volta.
Em relação ao que todo político pensa de si próprio:- Tornamo-nos odiados tanto fazendo o bem como fazendo o mal.
Sobre o poder e suas consequências disse: Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela. O que tem começo tem fim. Os que vencem, não importam como vençam, nunca conquistam a vergonha.
A vantagem de ser político é que todos veem o que tu aparentas, poucos sentem aquilo que tu és, e esses poucos não se atrevem a contrariar a opinião dos muitos.
A regra número um do político: quando fizer o bem, faça-o aos poucos. Quando for praticar o mal, faça-o de uma vez só. A regra dois: governar é fazer acreditar. A regra três: aos amigos os favores, aos inimigos a lei. A regra quatro: mate se preciso for, mas alcance o seu objetivo pois é melhor ser temido do que amado. A regra cinco: em política, os aliados de hoje são os inimigos de amanhã.
Assim, quando morrer, o político quer ir para o inferno, não para o céu. No inferno, gozará da companhia de papas, reis e príncipes. No céu, só terá por companhia mendigos, monges, eremitas e apóstolos.

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