Olhai Os Lírios do Campo

Publicado em 28/10/2017 00:10

Escrito em 1938, “Olhai Os Lírios do Campo” é uma das principais obras do autor Erico Verissimo e um clássico da literatura brasileira. O título foi baseado no Sermão da Montanha, onde Jesus fala aos seus apóstolos, em uma anologia, que a verdadeira felicidade está em cuidarmos das coisas simples.
Era leitura obrigatória da nossa juventude onde fervilhava a arte, a cultura e a educação numa época de ouro, onde o romantismo era a mola mestra do amor.
A obra conta a história de Eugênio Pontes, um moço de origem humilde que consegue se formar médico e, graças a um casamento de interesse, ingressa na elite da sociedade. Nesse percurso, ele tem que deixar de lado a família, os ideais e a mulher que ama.
“Olhai Os Lírios do Campo” é uma obra comovente e um verdadeiro mergulho aos valores da vida. E, para aquele jovem que ainda não leu, recomendamos esta estória emocionante. Parece que o autor escreveu a obra recentemente, pelas mensagens contidas no livro como se fosse literalmente dos dias atuais.
Verissimo enfatiza no romance que a vida começa todos os dias. E que só foge da solidão quem tem medo dos próprios pensamentos, das próprias lembranças. Ensina olhar as estrelas. Enquanto elas brilharem haverá esperança na vida. As estrelas eram um símbolo de pureza, qualquer coisa inatingível que a mão dos homens não haverá conseguido poluir. Que o gosto da solidão nos convida ao exame de consciência. E nem com todas as conquistas da inteligência tinham descoberto um meio de trabalhar menos e viver mais. Em um dos diálogos do livro há uma reflexão intensa: – Tu uma vez comparaste a vida a um transatlântico e te perguntaste a ti mesmo: estarei fazendo uma viagem agradável? Mas eu asseguro que o mais humano seria perguntar: estarei sendo um bom companheiro de viagem? No dia em que achei Deus, encontrei a paz e ao mesmo tempo percebi que de certa maneira não haveria mais paz para mim. Descobri que a paz interior só se conquista com o sacrifício da paz exterior. Era preciso fazer alguma coisa pelos outros. O mundo está cheio de sofrimento, de gritos de socorro. Que tinha eu feito até então para diminuir esse sofrimento, para atender a esses apelos? Eu via a meu redor pessoas aflitas que para se salvarem esperavam apenas uma mão que as apoiasse, nada mais que isso. E Deus me deu as duas mãos. A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delícia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você. Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente. Precisamos, entretanto, dar sentido humano às nossas construções. E, quando o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as araras do céu.

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