Planeta dos Macacos

Publicado em 2/06/2018 00:06

Nunca imaginaria que um filme a que assisti no cinema, em Penápolis, nos anos 70, fosse inspirar a “coruna” de hoje.
O filme Planeta dos Macacos é, sobretudo, uma crítica ao poder. Charles Bukowski, vivendo sob um contexto de revoltas nos Estados Unidos, disse em um de seus textos: “Uma mudança no poder não significa uma cura. O poder não se cura. O grande esforço de suas mentes não deve ser como destruir um governo, mas como criar um governo melhor.” É exatamente isso que Planeta dos Macacos passa ao espectador: que toda forma de se organizar politicamente é, necessariamente, uma forma de destruição – e não de construção, que inevitavelmente oprime alguns em nome dos interesses daqueles que estão no topo da hierarquia, ou seja, daqueles que detêm o poder.
O primeiro filme, com Charlton Heston teve tanto sucesso que surgiram vários remakes. Depois dos macacos passarem por experiência científica que lhes permite desenvolver inteligência fora do comum no remake Planeta dos Macacos, a Origem, eles adquirirem uma espantosa inteligência que lhes permite ter consciência sobre a própria condição de dominados. A partir daí, liderados pelo chimpanzé César, eles dão início a uma espécie de revolução contra a violência e a opressão humanas.
No segundo filme da série Planeta dos Macacos, o Confronto, na revolta dos macacos contra a dominação dos homens é impossível não associá-la às manifestações dos caminhoneiros em protesto contra os desmandos do governo em todo o Brasil. Da mesma forma que o macaco César toma consciência da sua humilhação ao sentir na pele a violência dos seus opressores, a população brasileira, também consciente dessa escravidão, passa a apoiar os nossos heróis caminhoneiros nas manifestações de protesto contra esse governo corrupto.
A triologia cinematográfica termina com o filme Planeta dos Macacos, a Guerra, uma metáfora sobre nós mesmos e nossa sociedade. Nesse caso a ficção perde de longe para a realidade a não ser que lance outro filme: Planeta dos Macacos, a Vitória!

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