Quem não tem cão, caça com gato

Publicado em 8/08/2020 00:08

Para mim, um ditado popular bem colocado tem seu valor e, apesar de piegas, banal e de pouca originalidade, às vezes é uma “mão na roda”.
São metáforas do cotidiano que atravessam gerações, contêm extrema sabedoria e resumem grandes verdades. E o que seria da linguagem se não existissem as metáforas? Imagina ter que explicar tudo literalmente? Os ditos populares descrevem uma regra e relações de contingências relacionadas a alguma situação vivida. Veja só esses ditados, não acha que eles combinam com a pandemia? Ou só eu penso nesse assunto? Aposto que, “só de bater o olho”, você já entende o que estou falando. Quer ver?
“Cada macaco no seu galho” – cada um está em sua casa, cuidando da sua vida e da sua saúde.
“De médico e louco todo mundo tem um pouco” – atualmente, somos todos meio infectologistas e imunologistas. E quem ainda não deu uma receita milagrosa nessa quarentena?
“Há males que vêm para o bem” – tomara!
“Deus escreve certo por linhas tortas” – espero, com esperança, que possamos extrair alguma coisa boa disso tudo.
“Não se pode colocar o carro na frente dos bois” – esperar a sequência e evolução dos fatos é extremamente necessário. Primeiro a saúde, depois a economia ou vice-versa, porque “não se faz omelete sem quebrar os ovos”.
“Cabeça vazia, oficina do capeta” – quantos pensamentos catastróficos costumamos ter em momentos de ócio em que não há nada para fazer? “A cabeça fica cheia de “minhoca”. Quem aí já não achou que estava contaminado quando deu um espirro ou quando a garganta arranhou?
“Cada um sabe onde lhe aperta o calo” – como não estamos em sistema de “lockdown”, fica a critério de cada um saber o que se deve ou não fazer fora de casa, se sai para caminhar para encontrar alguém ou para ganhar a vida.
“Águas passadas não movem moinhos” e “não adianta chorar pelo leite derramado” – foco no presente, pois o passado, já era!
“A corda sempre arrebenta do lado mais fraco” – infelizmente, essa é a situação dos menos favorecidos, dos que não conseguem ficar isolados, dos que precisam do trabalho diário para ter o que comer e que são os mesmos que dependem do sistema público de saúde já tão saturado e que não dá conta de atender a todos.
“Pimenta nos olhos dos outros é refresco” – e há quem diga. E daí?
“Quem não tem cão, caça com gato” – na guerra da pandemia, em vez de esperar a construção de um míssil teleguiado, vamos usar as armas que temos porque “o que não mata, engorda”.

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