Ricardo Boechat

Publicado em 16/02/2019 00:02

O nosso herói de hoje, Ricardo Eugênio Boechat foi jornalista, apresentador e radialista brasileiro. Esteve presente nos principais jornais do país, como O Globo, O Dia, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. Foi diretor de jornalismo na Band, e atualmente trabalhava como âncora em dois jornais: nas redes de rádio da BandNews FM e de televisão, a Band do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Ganhou três prêmios Esso, Boechat tinha uma coluna semanal na revista ISTOÉ.
Nascido em Buenos Aires e criado na cidade fluminense de Niterói, Rio de Janeiro, Boechat é considerado por profissionais da área e estudantes uma das figuras mais importantes e influentes do jornalismo brasileiro.
Falecido, aos 66 anos, após um trágico acidente de helicóptero em São Paulo, Ricardo Boechat, por inúmeras vezes, inverteu os papéis e, de jornalista, se tornou a própria notícia por suas falas consideradas ácidas e polêmicas.Sem travas na língua, o nosso herói tinha espaço em todos os veículos que trabalhou, para emitir opiniões sobre os mais variados temas. É justamente por isso que nos faz compreender porque os políticos corruptos não sentirão sua falta.
Ao comentar as ações do governo disse: “Pode botar todos os traficantes, todos os assassinos de um lado. O Estado brasileiro é o inimigo maior da sociedade, porque ele existe pra isso. Ele é sistemático, organizado, ele é poderoso, ele é endinheirado, ele é armado, ele faz de tudo que tem na mão pra isso!”.
Em relação à corrupção no Brasil cobrou: “Me mostra um único político brasileiro que tenha empobrecido no exercício da política. No máximo, os mais honestos, radicalmente honestos, progrediram patrimonialmente de acordo com seus ganhos”.
Ao ser contestado por políticos sobre respeito, ele disparou: “Vocês me ofendem o dia inteiro, vocês me agridem o dia inteiro. O tempo todo, 24 horas por dia sou agredido pelo Estado brasileiro e pelos agentes públicos desse país. No desrespeito, na falta de serviço, na corrupção ostensiva, no corporativismo, na picaretagem, na mentira, no logro, na desilusão que vocês nos impõem, nos atrasos, no abandono da educação, da saúde. E agora querem o quê? Serem tratados com respeito?”.
Ao ser questionado sobre vandalismo do povo ele foi direto: “Eu sou favorável a jogar ovo, eu sou favorável à revolta, a quebra-quebra. Vandalismo? É o cacete! Vandalismo é botar as pessoas quatro horas na fila das barcas todo dia, vandalismo é mandar segurança baixar porrada todo dia em passageiro da Central do Brasil que não aguenta mais ser tratado como gado. Isso é que é vandalismo! Vandalismo é roubar como um condenado com dinheiro público, vandalismo é matar meu filho dentro de um hospital por falta de médico, remédio enquanto há esquema de corrupção que a gente cansa de ver aí dentro dos hospitais. Revolta não é vandalismo!”.
O seu comentário sobre a fala de Bolsonaro ao citar o coronel Carlos Alberto Brilhante Lustra ao votar pelo impeachment de Presidente Dilma: “Torturadores não têm ideologia. Torturadores não têm lado. Torturadores são apenas torturadores. É o tipo humano no nível mais baixo que a natureza pode conceber. São covardes, são assassinos e não merecem em momento algum serem citados como exemplo”.
Antes da cerimônia de cremação, Mercedes Carrascal, mãe de Boechat pede aos jornalistas que sigam o legado deixado por seu filho, fazendo esse jornalismo que ele nos ensinou, um jornalismo com apuração feita de verdade, e que se importe com a integridade e com as pessoas, sempre.

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