Se as árvores falassem…

Publicado em 7/10/2017 00:10

As pessoas da Terra das Araras Coloridas estão indignadas com as “podas” radicais praticadas em locais públicos e privados por pessoas sem um pingo de sensibilidade em relação ao desenvolvimento das árvores.
“As árvores que dignificam as nossas praças e avenidas e embelezam os nossos jardins e parques são um elemento essencial de qualidade de vida, autênticos oásis no ‘deserto’ dos nossos espaços urbanos”, de acordo com Francisco Coimbra.
É inacreditável como certos preceitos sobre a poda de árvores ornamentais estão arraigados nos responsáveis pela sua gestão e manutenção. É frequente ouvirmos dizer como justificativa, que as “podas” radicais, rejuvenescem e fortalecem as árvores, ou que são a única forma econômica de controlar a sua altura e periculosidade.
Como se pode pensar que a poda drástica rejuvenesce a árvore se são as folhas a “fábrica” que produz o alimento da planta. Uma poda que remova mais do que um terço dos ramos da árvore – e as “podas” radicais removem a copa na totalidade, interfere muito com a sua capacidade de autofagia, destruindo o equilíbrio copa/tronco/raízes. O fato de, após uma operação traumática, as árvores apresentarem uma “brotação” intensa – como tentativa “desesperada” de repor a copa inicial – não significa rejuvenescimento, mas sim um “canto do cisne”, à custa da delapidação das suas reservas energéticas.
Dizem que a “poda” radical fortalece a árvore. Pode-se dizer que é um ato traumatizante e debilitante para a planta, uma porta aberta às enfermidades. A copa das árvores funciona como um todo, sendo os ramos exteriores um escudo para os mais internos, evitando os raios solares mais intensos. Se, subitamente alterar este equilíbrio, e todos os ramos ficarem expostos às condições climáticas de forma igual, a árvore fica sem defesas. Os cortes nestas condições são muito vulneráveis a ataques de insetos e fungos que causam doenças.
Dizem que a “poda” radical deixa a árvore menos perigosa. Ao contrário, estas “podas” induzem a formação, nos bordos das zonas de corte, de ramos com grande fragilidade mecânica, pois têm uma inserção anormal e superficial no tronco. Ao acumularem, ao longo dos anos, matéria putrefeita junto às zonas de corte faz com que esta ligação fique mais fraca, tornando estes galhos instáveis e potencialmente perigosos.
Dizem que a “poda” é a única forma de controlar sua altura. Claro que não. A quebra da hierarquia, que estava estabelecida entre os ramos naturalmente formados, não permite o desenvolvimento de novos galhos com forte crescimento vertical. Isto não resolve em nada, porque com a supressão da copa, em alguns anos a árvore retoma a altura que tinha, sem nunca mais voltar a ter beleza e naturalidade, características da espécie.
Assim o barato fica muito caro!

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