Stanislaw Ponte Preta

Publicado em 24/11/2018 00:11

O nosso herói de hoje é o carioca da gema, Sérgio Marcus Rangel Porto, escritor, radialista e compositor, mais conhecido pelo pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta. Ele ganhou fama por seu senso de humor refinado e pela crítica aos costumes nos livros Tia Zulmira e Eu e o Febeapá – Festival de Besteiras que Assola o País, uma de suas maiores criações. Com uma intensa jornada de trabalho, ele escrevia para o rádio, TV, revistas e jornais, além de se dedicar aos próprios livros. Porto ainda compôs a música “Samba do Crioulo Doido” e foi o criador e produtor do concurso de beleza As Certinhas do Lalau. Boêmio e com admirável senso de humor, em sua memória um grupo de jornalistas e intelectuais fundou o semanário O Pasquim, em 1969 que foi a minha leitura predileta nos meus tempos de faculdade, em Araraquara. Infelizmente Sérgio Porto se foi jovem, com apenas 45 anos de idade, no auge de sua trajetória profissional.
Sobre a política ele dizia que a prosperidade de alguns homens públicos do Brasil é uma prova evidente de que eles vêm lutando pelo progresso do nosso subdesenvolvimento e política tem esta desvantagem: de vez em quando o sujeito vai preso em nome da liberdade.
Já naquela época Ponte Preta não era homofóbico ao comentar que homem que desmunheca e mulher que pisa duro não enganam nem no escuro. E até se torna um profeta do sexo ao afirmar que pelo jeito que a coisa vai, em breve o terceiro sexo estará em segundo.
Ao se adentrar na área passional dizia que lavar a honra com sangue suja a roupa toda.
Em relação a hipocrisia da sociedade a sua saída era de que nem todo rico tem carro, nem todo ronco é pigarro, nem toda tosse é catarro, nem toda mulher eu agarro.
E sobre o nosso regime econômico era franco em dizer que capitalismo é a exploração do homem pelo homem e o socialismo é o contrário.
Ele já previa o fim da mídia televisiva ao afirmar que a televisão é uma máquina de fazer doidos e o melhor da televisão é o botão de desligar.
Sobre o futebol ele era enfático em dizer que pênalti é uma coisa tão importante que quem deveria bater é o presidente do clube.
No comportamento humano tinha uma tirada genial: consciência é como vesícula, a gente só se preocupa com ela quando dói.
Em uma análise pessoal Sérgio Porto imagina como é difícil dizer o que incomoda mais, se a inteligência ostensiva ou a burrice extravasante.
E sobre a mulher, Stanislaw filosofava: a mulher ideal é sempre a dos outros e se o Diabo entendesse de mulher, não tinha rabo nem chifre.

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