Temmer, O Príncipe

Publicado em 9/06/2018 00:06

O nosso herói de hoje é Temmer, O príncipe. Ele se fundamenta em Marco Túlio Cícero, estadista, orador e filósofo romano, autor da frase: historia magistra vitae est ou “história é a mestra da vida”. De acordo com seu pensamento, os exemplos históricos extraídos do estudo dos grandes homens devem ser a principal fonte de sabedoria humana para agir no presente.
Alguns dos grandes políticos tiveram seu nome convertido em substantivo derivado – aristotelismo, marxismo, nazismo, lulismo. Mas O Príncipe, entre as figuras ilustres da história, teve seu nome convertido em adjetivo pejorativo – maquiavélico.
De fato, o adjetivo “maquiavélico” é popularmente associado à tirania, intriga, traição, dissidência, desonestidade, ganância, cólera, corrupção e diversas outras atribuições negativas. Muitos também ligam O Príncipe a um ser blasfemador, satânico e herético. Na verdade, ele é inocente apenas sobre as acusações de ser o conde Drácula.
Para O Príncipe, virtude e fortuna devem andar juntas. A virtude pela sua qualidade ética nas palavras, seu caráter, sua coragem e sua habilidade para tomar decisões são elementos fundamentais para que o seu navio se aporte no porto da fortuna.
Assim, o nosso herói defende com unhas e dentes sua filosofia de que um príncipe não pode ser limitado pela moralidade. Os fins justificam os meios. No entanto, há determinados meios que um príncipe sábio deve evitar, porque, embora possam alcançar os fins almejados, deixam-no exposto a ameaças futuras. Esses meios evitáveis são aqueles que fazem o povo odiar seu príncipe. O fato de ser amado pelo povo é algo vantajoso e extremamente necessário, mas ele lembra, infelizmente, que amor e ódio lidam muito bem um com o outro, e por isso o povo pode odiar também amando. Assim, O Príncipe injeta sua tese de que é muito mais seguro ser temido que amado, quando se deve abrir mão de uma das duas possibilidades. Os homens têm menos receio de ofender alguém que se faça amar do que alguém que se faça temer; pois o amor é mantido por um vínculo de reconhecimento, que se rompe a cada ocasião que lhes convenha, porque os homens são voláteis; mas o temor é mantido pelo medo de punição, que não os abandona nunca. Os homens sempre resultarão maus, se por uma necessidade não se tornam bons.
É tão distante como se vive do modo como se deveria viver, que aquele que deixa o que faz pelo que deveria fazer aprende mais a ruína que a preservação de si mesmo: porque um homem que quer professar o bem por toda parte deve arruinar-se em meio a tantos que não são bons. É necessário a um príncipe, se quiser manter-se no poder, aprender a não ser bom, e usar isso, ou não, de acordo com a necessidade. (Nicolau Maquiavel)

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