A TURMA NA LAGOA SANTA

Publicado em 2/09/2017 00:09

Na minha infância a ‘Turma da Pesada’ era composta pelo Sadaki, o Fumio, o saudoso Camarão, o Peroba, o ‘Cabeça’, dentre outros, e, nós: eu, o Mikio, o Carlinho, o Severo, o ‘Jeromão’, o Cosmo, o Pelé, o ‘Total’, o João Luiz, o Maninho, o meu irmão Gegê, dentre outros. Resolvemos formar a ‘Turma da Pesadinha’. Era a nossa ‘Turma’. Conto a história.
Comemorávamos todos os natais juntos, na ‘máquina de arroz’, aparato para beneficiar grãos.
É que ali, por muito tempo, a família Takayama tinha uma máquina de benefício, um salão muito grande, onde guardava os cereais.
Nós juntávamos as ‘Turmas’ e limpávamos todo o local e aguardávamos a chegada do novo ano. Comprávamos bebidas e carne para o churrasco. Do bambuzal tirávamos os espetos. Da amizade, a feliz convivência.
Um dia o Mikio teve uma excelente ‘ideia’.
Comprar carne de ‘segunda’ e amolecê-la com a fruta de abacaxi.
Usou muito abacaxi. O churrasco naquela passagem de ano ficou péssimo, esfarelou. Impossível deglutir. Minha passagem de ano foi xingando o Mikio. Quase saímos na tapa. Essa mesma ‘Turma’ também fazia uma excursão para Lagoa Santa – GO.
Unidos, enchíamos os sacos de palha de arroz que colocados na carroceria do caminhão do Sadaki serviam de banco para sentarmos até aquela deslumbrante cidade turística.
Não é que numa dessas viagens lá chegando, após ‘armar a barraca’ apareceu uma pessoa com três dedais e uma bolinha e nos desafiavam para enfrentá-lo no tal jogo. E o Sadaki teve a ‘ideia’ e resolveu participar.
No final, juntamos todo o dinheiro do pessoal da excursão para descobrir em qual dos três dedais estava a bolinha.
Levantado o dedal e nada…A bolinha não estava mais ali.
Ela já não estava debaixo do dedal. Sensação horrível de perda.
‘O pau quebrou’.
No final, um acordo e ele, o jogador, devolveu a metade do nosso dinheiro.
Na verdade todos nós éramos ‘idealistas’ e invariavelmente errávamos nas nossas projeções, mas por aquela infância, revestida de muita generosidade e consideração cresceram os homens das décadas de cinquenta e sessenta de Três Fronteiras, que devem repassar, cada um, aos seus filhos a autêntica e verdadeira história do povo que, no mais das vezes, não é a que consta escrita oficialmente, mas aquela que passa de geração para geração e de coração para coração e quem se perde ou se esquece dessa raiz fará uma história isolada que não frutifica, que não vinga, que mancha, que dá nódoa.
Porque o pior dos sentimentos é a solidão decorrente do isolamento.
Nós éramos uma floresta, não éramos uma árvore só.

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