AÍ É TARDE

Publicado em 12/08/2017 00:08

A última vez traz em si uma ideia que apavora as pessoas, e ela é intimamente ligada, nas relações humanas, ao tema da morte, do encerramento de nosso ciclo vital, assim como a primeira vez vincula diretamente a questão da sexualidade.
Porém as últimas vezes podem ter aspectos diferentes.
A última vez que vi um amigo.
A última vez que fumei um cigarro.
As primeiras vezes também podem fugir do tema que, em tese, se apresenta normalmente. Pode fugir da sexualidade.
A primeira vez que fui à escola. Esperando sinal de entrada, acabei por perder o lápis. Comecei a chorar. Gentilmente a professora Ines Kawahara perguntou o que estava acontecendo e eu então disse o motivo. Ela, mais que depressa, conseguiu outro lápis e me forneceu aquele instrumentário necessário para marcar, riscar e que, com ele, futuramente, aprenderia escrever. Sorri, então!
A primeira vez que fui pescar com meu filho no mesmo Córrego da Volta Grande, em Três Fronteiras, foi sensacional, embora tenha sido interrompida pelo aparecimento de uma cobra.
A primeira vez que assisti ao jogo do Corinthians, inesquecível, e foi o Morumbi, quando perdeu por 1 x 0. Foi demais, embora derrotado o meu Timão!
Assim, tanto as últimas vezes podem fugir do tema morte, quanto às primeiras vezes não precisam necessariamente ser ligadas a sexualidade.
Podemos sorrir e viver demais e intensamente a vida, ‘curtindo’ e cultivando em nossa memória emocional os pequenos momentos. Diversas vezes e não importa se é a última ou a primeira.
Isto porque as últimas vezes podem ser as primeiras e não teremos outras oportunidades.
Vivamos as primeiras como as últimas, e as últimas como as primeiras vezes, porque o importante é saber viver intensamente. Sempre!
Por falar nisso, não esqueça amanhã de, pela primeira vez, dizer ‘eu te amo, papai’, e aproveite hoje porque talvez possa ser a última vez. Aí é tarde!

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