ALDIR BLANC

Publicado em 9/05/2020 00:05

Na minha juventude, estudante de Direito, tive como paradigma, os advogados Waldir Troncoso Peres e Márcio Thomaz Bastos, ambos advogados criminalistas brasileiros de renome.
Em certos momentos na poesia inspirei-me em Aldir Blanc.
No Festival da MPB, em Santa Fé do Sul, na gestão do ex-prefeito Edinho Araújo, representando Três Fronteiras, participei com uma música cuja letra era inspirada no saudoso poeta, que no início dizia, declamado: ‘Esta música é uma homenagem a todos os presos políticos da América Latina, que não podem gozar de qualquer anistia, por mais ampla que seja, porém ressuscitam seus pensamentos em nossa consciência’. Para, cantando, dizer: ‘Se me calam a voz, espero a vez. Se me tombam ao dia, levanto a noite…Só não aguardo a sorte!’.
Nosso grito era contra a Ditadura Militar e nossa esperança era a liberdade.
O poeta, que era médico psiquiatra e trabalhava no manicômio, dedicou-se a ser letrista de músicas interpretadas principalmente por João Bosco e Elis Regina.
Contra a Ditadura, a canção símbolo era ‘O bêbado e a equilibrista’, que escrevo a parte que mais gosto, para relembrar: ‘Que sonha com a volta do irmão do Henfil. Com tanta gente que partiu num rabo-de-foguete. Chora a nossa pátria, mãe gentil. Choram Marias e Clarices no solo do Brasil. Mas sei que essa dor assim pungente. Não há de ser inutilmente….’.
Hoje vejo, tristemente, como democrata, a volta de arroubos autoritários, por apedeutas políticos, que navegam na ignorância, no preconceito e no uso da força.
A filha de Elis Regina, assim se despediu do poeta: ‘Aldir Blanc está agora em paz longe desse nosso caos. Obrigado por tudo que criou e ensinou para a gente, mestre’.
A cantora Leila Pinheira bem disse sobre a despedida do nosso ídolo: ‘Um gênio que não tem outro igual. Apaixonado por um Brasil que a gente vai seguir lutando para que exista e resista a tanta loucura’.
Digo, por fim, Aldir Blanc sobrevive nas suas canções e nas nossas memórias e os medíocres passam pela História, sem lembranças e sem saudades. Aldir deixa lembranças e saudades. Aldir, o poeta esperança!

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