ANTÔNIO E CECÍLIA

Publicado em 28/08/2021 00:08

Se alguém chegar a Santa Fé do Sul e perguntar pelo Antônio Aquimedes Terci, possivelmente não será identificado. Porém, se perguntar pelo ‘Serraria’ certamente irão mandar você procurar no Campo do Palmeirinha. Não vai encontrar, porque o campo está desativado há tempos.
Todavia, na incessante procura vai achar a casa do Serraria, no bairro Bela Vista, certamente acompanhado da esposa Cecília Faducchi, que com ele vive e convive há mais de 40 anos.
Ele talvez esteja cuidando, zelando, ‘acariciando’ primeiro o Campo do Palmeirinha e depois o Estádio Municipal ‘Evandro de Paula’, por 45 anos.
Ela cuidando dos ‘fardamentos’ (porque naquele tempo futebol era uma pequena guerra), lavando e torcendo, mas sobretudo torcendo para que no domingo o Palmeirinha seja a equipe vitoriosa da rodada.
Eles formam o casal representativo do esporte amador de Santa Fé do Sul e da região. Flávio, meu cunhado, era goleiro da equipe e testemunhou o amor que o casal tinha pelo esporte e pelos jogadores da equipe que comandavam. O respeito à Dona Cecília pelos jogadores era imenso, pois todos tinham, além de reverência aquela senhora, admiração não só pela defesa implacável da equipe, mas pela dinâmica invejável de urbanidade da comunidade esportiva regional.
Cecília frequentava os vestiários com dignidade, recolhendo as roupas, normalmente suadas e sujas, após as partidas, mas o fazia com a elegância de uma mulher digna.
Serraria e Cecília não aceitavam brigas, intolerância e desrespeito. Comemoravam as boas vitórias do Palmeirinha, mas também reconheciam a superioridade da equipe adversária. Serraria ainda lembra quando errei um pênalti pelo Juvenil Três Fronteiras contra a sua equipe: sua memória revela a história do esporte.
O Pedrinho Balbi, pai do Bruno, sempre destacava – e destaca – esse casal como exemplo de dedicação. O Betinho acompanhou por mais de três décadas e fala quase com lágrimas nos olhos a importância que eles representaram não só na sua vida esportiva, mas também na sua formação como ser humano. O Gilberto Medeiros sabe que nas mãos de Serraria o campo e o Palmeirinha foram bem tratados, tais quais crianças mimadas.
Cecília é a parceira, amiga, companheira do Antônio, o nosso Serraria, e sempre deu a força necessária para que ele desenvolvesse a atividade de zelador, técnico, massagista e torcedor. Ela o completa. Invejáveis seres humanos.
Todos – indistintamente – brancos, negros, pobres, ricos, altos, baixos, nutrem por esse casal uma sensação de que o amor é – além de um encontro – uma dádiva de Deus.
Minha única reclamação é que Serraria deveria ter cuidado do campo do Corinthians e não do Palmeirinha, mas nem tudo é perfeito. Perfeito só a relação desse casal e não há lugar que eles não façam alegria. Serraria e Cecília, nossos merecidos homenageados, reflexos do amor.

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