CARGIL

Publicado em 16/10/2021 00:10

O apelido de “Cargil” ninguém conseguiu me esclarecer, na pesquisa, desse personagem, do nosso homenageado. O apelido veio, ficou e pegou, de modo que todo mundo da região o conhece pelo codinome “Cargil”. Sei que Cargil é uma empresa americana, que, fazendo parte da ‘revolução verde’, introduziu no Brasil, com outras empresas, mecanização (expulsando o homem do campo), insumos (agrotóxicos, então chamados ‘defensivos agrícolas’ e adubos), expandiram a agroquímica em detrimento da biodiversidade, e hoje faz parte do aparato empresarial Monsanto, que é a líder mundial na produção do herbicida glifosato, vendido sob a marca ‘roundup’.
Porém, o nosso querido Cargil, nasceu em 1.957. Em 1979 se casou com Maria de Lourdes Ianelli. É pai de Viviane Cataline Tozzo Cumini. Em 1982 nasceu também naquele alegre lar Elton Henrique Tozzo. O neto é o Arthur Tozzo Comini, de seis aninhos. Cargil foi – e sempre será – um jogador marcante de época pelos gramados do futebol amador regional.
Cargil, desde criança, ia para a roça com seus pais Augusto Tozzo e Maria Pacola Tozzo, juntamente com seus irmãos, na colheita do café. Primeiramente moraram em Esmeralda, vindos de Mirassol, depois vieram para Santa Fé do Sul, mas continuavam na labuta diária cuidando do sítio em Esmeralda.
Meio campista habilidoso, que não fugia de uma “dividida”. Para quem não sabe, dividida é quando a bola está próxima de dois jogadores adversários ao mesmo tempo e ambos têm a possibilidade de atingir a “pelota”, mas pode atingir a “canela” do adversário. Por isso, precisa ter preparo e força física e Cargil era um meio campista que também tinha essas qualidades. Não fugia de uma boa dividida.
E, na dividida, se chegassem ao mesmo tempo com os pés próximo à pelota ocorreria uma “prensada” na bola e aí daquele que dividisse a bola de couro com Cargil o impacto era desastroso: menisco do joelho ou o tornozelo iriam lesionar. Tudo sem maldade.
É verdade, sem maldade, pois Cargil é uma pessoa pacífica, amiga e educada, que todos gostavam, no campo – e gostam, na vida – e o respeitam pela honestidade de caráter e porque não agia, nas jogadas, com má-fé. O azar é de quem queria dividir a bola com ele, normalmente perderia e sofreria uma séria contusão.
O ex-jogador “Café”, que organizava campeonatos na nossa urbe, realizou um desses, denominado “Copa Café” no campo da AABB e a participação foi regional.
O nosso time era modesto e representava a AABB. Reuni vários amigos do esporte amador, quase todos já pendurando as chuteiras: no gol, o Ivan, na zaga Pazim Mineiro, o Milton, o Pavim (corretor), o Edson Araújo da Estiva, eu e o Cargil, dentre outros que não me recordo. Fomos campeões. Vários times, mas na semifinal enfrentamos Aparecida do Taboado, um timão bom e forte como normalmente aquela cidade forma para participar, reforçado pelo Dida, Claudinho (‘Tripa’) e ganhamos de 4 a 1, e a participação de Cargil foi fundamental.
Na final jogamos contra o time do Frigorífico, equipe também forte, montada pelo “Curvina” Evaldo, o filho do saudoso craque Euricão, mas nós vencemos, e com um jogador a menos, mas superamos inspirados na força física do Cargil.
Relato aquele campeonato, mas Cargil participou e venceu vários na região. No sítio, à época, tinha um campo de racha e lá participavam os amigos que reunidos jogavam futebol e boa conversa fora…, sempre saudável.
Cargil representa a simplicidade de um jogador amador da região, mas também a convicção de um atleta que nos dá a tranquilidade de saber quanto o futebol agregou positivamente na vida das pessoas e fez valer a máxima ‘mente sã em corpo são’, além de muitos amigos e bastante saudade de um tempo lúdico e, ao mesmo tempo, real e humano.

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