CARTA A MORDORA DE RUA ABERTA À NOSSA CONSCIÊNCIA

Publicado em 30/11/2019 15:11

Essa missiva é para pedir perdão à moradora de rua morta por pedir um real.
Perdão porque eu fui partícipe do crime pelo ‘domínio do fato’, pois também sou corresponsável pela falta de política pública de abandona às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Sei também que não ouvirá mais o meu pedido de perdão!
Mas eu preciso pedir perdão, pois aquele homicida levantou a arma em sua direção porque você pedia um real, ali eu fui, na verdade, coautor do homicídio, já que pratiquei junto o verbo do tipo, matar. Matei você quando incentivei a disseminação de arma no Brasil e hoje minhas mãos derramam sangue e eu como réu derramo lágrimas. Não adianta mais nada. O crime já se consumou.
O nexo de causalidade, o vínculo, o liame entre o tiro dado e sua morte está comprovado, pois o que me vincula ao fato é que nada fiz em minha vida para impedir aquele assassino frio de ceifar a sua frágil vida já que tinha o dever de agir em favor de você, minha irmã, morta covardemente. Assim devem agir os policiais, mas os brasileiros deveriam saber que arma à disposição de pessoas despreparadas o fim é previsível e trágico. Então, no mínimo, assumi a sua morte, em dolo eventual.
A indústria das armas não pode alegar inocência, pois são também responsáveis pela tua morte, vez que tem vínculo com o governo que favorece a disseminação das armas e difamam a cultura da paz.
Só a tua morte é vitoriosa, tal qual a de Cristo para que eu possa escrever essas ‘mal traçadas linhas’ e com coragem gritar ‘vamos todos lavar as mãos’ e decretar que ocuparemos o banco dos réus, aqui não, mas certamente seremos réus dentro de nossa consciência.
A sua morte retrata nossa culpa!
O sinal era da cruz agora é ‘fazendo arminha’, mas a dor não passa.
– Perdão à sua alma cara moradora de rua morta por pedir um real, mas violência e arma não! Buummmmmm, na consciência, para quem tem. Os impermeáveis não têm e não terão remorso com a tua morte.

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