‘CHARRETEIROS’, O BRITO E O TEMPO

Publicado em 9/06/2018 00:06

Meu veículo precisa alinhar as rodas, até para melhorar a estabilidade e velocidade. Fui ao ‘Brito Pneus’ e nem percebi o tempo passar naquele dia. Falei que iria esperar o ‘carro’ em casa. Hora que ‘acabou a conversa’ o serviço estava prestado e o automóvel pronto para rodar. E o tempo passou…
Conversei com o Francisco, o Brito. Disse que adorava paineiras, porque elas pertenciam a minha memória emocional, pois na Rua José Manoel Ferreira, em Três Fronteiras, havia cinco delas, gigantes, há quarenta e cinco anos, onde os ‘charreteiros’ ali permaneciam aguardando os passageiros e, enquanto isso, as painas delas espalhavam na cidade, tocadas pelo vento.
Seo Joaquim era especial ‘Charreteiro’, pai do Brito, tocava o animal com o barulho do encontro dos dois lábios, sonorizando pam…pam…pam…e ele obedecia. Não precisa bater. Quando queria uma velocidade melhor chacoalhava o rebengue, produzindo o barulho pelas tampinhas de garrafas amassadas colocadas na parte que terminava a madeira do chicote.
Seo Paiva manejava seu animal ao som produzido também pelo encontro dos lábios, fazendo ‘bico’. Os sons produzidos eram diferentes. O do Paiva eu não consigo identificar e simbolizar na figura de onomatopeia, dada a peculiaridade.
Ambos, por vezes, quando não tinham passageiros, ‘tramavam uma luta’, de brincadeira, para ‘o tempo passar’.
Naquela época a maior parte do serviço era buscar ou levar passageiros à Estação Ferroviária.
Quem acendia a luz, poste a poste, à cavalo, era o jovem Chico, irmão do Joaquim e do Tião, dos saudosos Leonildo e Adolfo (Duca), do Domingos, e das irmãs Maria, Antônia, Alaíde e Vanilda.
As árvores de paineiras foram cortadas, onde ficava o pai do Brito e o Paiva e os demais ‘charreteiros’.
Contamos então muitas histórias e o tempo passou… não só naquele dia, mas também na nossa vida, porque tem-se a aparência que aconteceu ontem e crescemos e nem vimos o tempo passar, restando a saudade daqueles dias em nossa memória e as paineiras renasceram em nosso encontro e parece que víamos as flores cor de rosa e ainda exalavam seu perfume, quando então floresceram novamente em nossos corações, envolta aos braços do tempo.
Naquele dia – conversando com o Brito – como passou rápido, veloz, pena que não foi só naquele dia. A vida passa num deslocamento fugaz, com os ‘pneus alinhados’ e parece impossível segurar. Já disse o poeta o tempo não para.
Já que não para queria que o tempo ‘corresse’ ao som produzido pelos lábios, na velocidade suave dos animais, tangidos pelos ‘charreteiros’, pois passou muito rápido e nós passamos juntos.

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