‘CORAÇÃO’

Publicado em 21/09/2019 00:09

Fui rever Rubão quase vinte anos depois de sua saída de Três Fronteiras. Dei-lhe um forte abraço, ‘sumido Cabeção’. Era assim chamado o artilheiro de nossa infância que gostava de jogar descalço. E nesse reencontro – ele estava de passagem rápida – não o deixei ir embora. Ofereci ‘pernoite’. Rubão aceitou se fosse na ‘chácara’ e também o colchão no chão. É ele assim, simplesmente Rubens, filho do senhor Manoel Soares, político trifronteirano, que me incentivou a estudar Direito dizendo que eu havia de declarar na defesa, ‘você não tem argumentos para acusar o réu’. Éramos crianças e aceitei seu conselho.
Rubão mudou-se jovem para Campinas. Ficamos sem artilheiro. E foi ‘crescer junto com o seu bairro’, vendendo gás. Com a família construiu um milhão de amigos.
Rubens, certa vez, aluga um rancho em Três Fronteiras, no Jardim Guanabara, e avisa que Odair José, cantor da nossa época, iria vir só que ele queria comer carne assada de carneiro. Coloca no grupo de WhatsApp do Encontrão. Eu mais que depressa ofereci o ovino. Assim todos no rancho, carneiro temperado e já assando até que alguém, desconfiado, fala para o Rubão, e aí, ‘cadê o cantor’. Ele liga o telefone celular e começa a falar ‘Odair quebrou o ônibus, então não vai dar para chegar’. Até hoje estamos sem ouvir o cantor da jovem guarda. Rubão sempre surpreende.
Convidei e ele resolveu participar do nosso Encontrão. Reencontra também Severo Neto de Oliveira, nosso também colega de infância, ‘paitrocinador’ do Encontrão, que havia sido eleito vereador em São Caetano do Sul.
Não é que Rubão surpreende a todos – até ele mesmo – e, inspirado em Severo, saí candidato a vereador. E se elege para a alegria de todos e surpresa da urna.
No Encontrão que se aproxima, Rubens Soares vai abastecer as energias para enfrentar as eleições municipais do ano que vem na megalópole campineira.
Certamente reeleito, retornará em 2020 ao ‘Encontrão’, talvez quem sabe como vice-prefeito ou prefeito daquela urbe. O nome de Rubão é simplesmente surpresa.
O apelido carinhoso de infância que o segue até hoje não é o adequado. Melhor seria, ao invés de Cabeção, ‘Coração’, porque esse órgão também gigantesco mais revela as características do Rubens, que irriga inteligência e alegria aos amigos e oxigena a alma, renovando as esperanças de um mundo melhor a todos.
Nunca fui visitá-lo, mas vou fazê-lo, mas não bebo água daquela urbe, porque, segundo a lenda, modifica nossos costumes e certamente também ele vai me oferecer cerveja que é de Jaguariúna ou Agudos.
– Melhor sair de porre!

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