DELVITA

Publicado em 1/06/2019 00:06

Nem parece nome de pessoa. Talvez por ela ser tão especial escolheram um nome diferente. Delvita é filha de um mineiro sério chamado Sebastião, de apelido Mariano. Sua mãe Maria, uma criatura bondosa, benzedeira e parteira. Tem nove irmãos (Tio Pedro ‘capadô’, ‘barbeiro’ e ‘benzedô’; Tio Paulo; Tio Zé ‘do Bonito’; Tio João; Tio Tonho ‘Bichancha’; Tia Nita ‘de Jales’; Tia Abgail do ‘Tio Zé Cremonez’; Tia ‘Ina’ – Marina e Tia ‘Menininha’ do ‘Tio Varte’ – Izaura), todos com características acentuadas de humildade e simplicidade, mas só ela é borboleta, apelido que seu próprio pai lhe deu. Porque ela é toda vaidosa. Foi a primeira cabeleireira de Três Fronteiras (hoje salão é coisa chique; naquela época imperava o preconceito). Trabalhava porque não queria ser dependente, porque queria – e quer – neste mundo desfrutar dos bens materiais que ele oferece. O bom também é que acredita que é injusto as outras pessoas não terem as coisas, mínimas que sejam.
Foi uma guerreira durante toda a vida. Formou, com seu marido Geraldo, a quem foi dedicada na saúde e na doença, os seus dois filhos. Um é doutor na Universidade Federal de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. O outro anda por aí advogando e fazendo umas artes, até escrevendo crônicas.
Conta a lenda que os dois loirinhos faziam tanta arte que quando ela chegava com os rebentos na casa das pessoas ‘fechavam a porta’ porque ‘judiavam do gato’, ‘quebravam pratos’, ‘soltavam o cachorro’, ‘pulavam no sofá’, ‘faziam guerra de travesseiros’, ‘derrubavam a comida’, enfim, faziam tudo o que as crianças não devem fazer. Para resumir: ‘uns pestinhas …terríveis’. Também pudera, não tinham celulares…Sequer a internet existia.
Tem três netos. Um vive no exterior. A outra está fazendo curso superior na cidade de Três Lagoas, MS. O outro também estudou em Bragança Paulista, SP. Está fazendo residência médica na Famerp. Sabe ela que sua descendência segue os seus ensinamentos lutando para acrescentar no mundo mais sabedoria, estudando e procurando entender a si mesmos, ao mundo e em especial aos outros seres humanos. Adora principalmente todos os sobrinhos e sobrinhas. Reza por todos, sem distinção, como se fossem filhos e filhas. Sempre chora quando acontece alguma coisa com quaisquer dos filhos e netos da Madrinha.
Sente e chora até hoje a perda da Dona ‘Nirda Fornari’, sua melhor amiga, que está junto de Deus.
Gosta da Igreja São José. Participa da vida religiosa. Faz amigas e também algumas inimizades, porque é humana: fala o que pensa, não manda recado, não finge, mas ama a todos e perdoa sempre. Também quer ser perdoada quando erra. Não tem mágoa no coração, o que a faz estar linda e maravilhosa, apesar da idade. Digo aos filhos: declarem seu amor pela sua mãe.
Neste mês geminiano, exatamente hoje, no primeiro dia do mês, Delvita completa 84 anos. Tem disposição de menina e hoje vive namorando e dando trabalho ao Seu Francisco!
Delvita Gonçalves Luiz é a minha querida mãe que muito me orgulha.
Esse escrito é meu presentinho que não veio embrulhado, empacotado ou dentro de uma caixa (a preferência seria por uma ‘joia’), mas servirá, essa página, com essa crônica, depois de lida, para embrulhar alguma coisa (de preferência ‘carne de porco’ no açougue do Pelé). Mãe, você é nossa protetora, que nos embrulhou, como joia, em seu ventre. Mulheres de Três Fronteiras mirem-se no exemplo dela e constituirão uma família, com dignidade e serão chamadas assim de vencedoras: ‘Mamãe, eu e o Gegê amamos você’. Parabéns!

Última Edição