DIÁRIO DE UM CONFINADO

Publicado em 4/07/2020 00:07

O mundo ficou de perna para o ar no ano vigente que veio à tona a pandemia.
A criatura humana começa a usar máscara. O álcool não é só pra beber ou servir de combustível ao automóvel, tem que esfregá-lo nas mãos. O distanciamento passa a ser o que nos aproxima da saúde. O abraço apertado e o contato já não são mais recomendáveis. Quanto distante melhor.
Com a máscara, há pessoas que indagam ‘quem é você?’. Já desconfiaram de mim quando, por duas vezes, esfreguei álcool nas mãos na Padaria do Jipão. O Alemão perguntou: ‘pinga é mais fraca’.
Ademais, o mais, o uso da máscara, que muitos já intimistas chamam-na ‘mascra’, a bem da verdade, tem uma utilidade, a de que, com ela, podemos andar falando sozinhos, sem a preocupação de sermos observados.
O distanciamento dispensa até o aperto de mãos. Num certo sentido foi bom, pois tem um amigo meu que costumeiramente o encontro e ele dá às mãos para o cumprimento e aperta parecendo um alicate, quase quebra minhas mãos. Isso foi bom, agora estou livre de ter um osso semilunar quebrado.
O ruim é encontrar alguém espirando na fila de um banco.
Veio o frio e o recomendável é ao chegar em casa, tomar banho para não infectar de coronavirus o domicílio. Ruim é a resistência do chuveiro queimada e ter que tomar banho obrigatoriamente.
Informação é algo essencial hoje no mundo e sei da gravidade da pandemia, mas realmente os programas jornalísticos falam quase só de pandemia.
E pior.
Ao final, um pouquinho das atrapalhadas em Brasília.
Mentira em curriculum de Ministro de Estado, inauguração de obra pronta (transposição do Rio São Francisco), Presidente sem máscara, dentro outras.
Nossa, só tem isso. Enche o saco.
E não é que me peguei falando só disso também. Estou sem assunto mesmo nesta época de pandemia.

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