GOL CONTRA

Publicado em 25/04/2020 00:04

Não há quem não tenha, ainda que por uma única vez, passado por alguma situação inusitada, que pode virar ‘lenda’.
Alguma atitude na vida da gente provocou zombaria, escárnio ou riso dos outros pode correr de boca a boca e essas situações, de aspecto normalmente espalhafatoso ou extravagante, por vezes nos deixa constrangido ou até nosso interlocutor. Às vezes sentimos vergonha alheia.
No futebol nada mais constrangedor do que fazer gol contra. Meter a bola no gol de sua própria equipe e resultar em gol para a equipe adversária estigmatiza o ‘artilheiro’.
Lembro carinhosamente que Baldissera era o ‘Baldigol’ na infância de meu filho no Clube da AABB.
Certa vez Baldissera contabilizou 27 gols contra em apenas um ano.
Certa vez, quando crianças ainda e já está fazendo tempo, fomos jogar em Rubineia, a terra dos craques Luizão, Simar, Cidão e do Dito e também do craque Manso. Início de jogo, time escalado e no gol Deraldo Lupiano de Assis e na lateral direito meu irmão Gegê (veloz igual ao Paulinho). No jogo meu irmão recebe a bola do goleiro Deraldo e – como naquele tempo podia – atrasa a bola ao goleiro Deraldo que foi pegá-la com as mãos, mas não conseguiu e foi gol de Rubineia. Gol contra.
Até hoje eles discutem. Meu irmão diz que o Deraldo foi desatencioso e Deraldo culpa meu irmão, pois esperava que Gegê corresse com a bola, tal qual Paulinho do Dito, rumo ao gol adversário e não devolvesse a bola. Deraldo esperava de Gegê uma atitude igual a de Cafu, nosso craque da seleção.
No Córrego do Cervo, num jogo em que atuava meu saudoso e pranteado amigo Luiz Humberto (conhecido pela alcunha de Capadô) eu passei a bola para ‘Capadô’, que jogava na ponta direita. Ele driblou, driblou e driblou até perder a bola. Na sequência a jogada se repete, passo a bola para Capadô que novamente dribla, dribla e dribla até perder a pelota. Não deu outra, na terceira vez peguei a bola e passei ao lateral esquerdo adversário, que foi em direção ao nosso gol e fez um golaço.
Eu xingava ‘Berto’ (assim que tratava o ‘Capadô) ele me xingava…por uns três minutos. E a torcida (Valírio, Soligo e outros) começaram a xingar eu e o Berto. Aí começamos a dar gargalhadas, dentro de campo. E os torcedores bravos!
Por fim, imaginem num jogo o Ministro da Saúde, na linha, devolvendo a bola para o ‘Capitão’, no gol! Na certa é gol contra.

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