HORA DA DESPEDIDA

Publicado em 7/07/2018 00:07

Três Fronteiras, há sempre um filho indo e outro voltando.
Qual teu sabor!
Que gosto amargo, doce, cruel, eutanásico, de fel ou mel que ninguém a abandona.
Toda partida lá é sinônimo de volta.
Quando Caxumbinha (Neno) foi, com sua maravilhosa família, e como eles foram as lágrimas, mas a tristeza maior era o que estava ficando para trás.
Deixava a rua dos ‘ossos’, não teve como levar o Mindão, o João Luiz o Maninho, o Gegê…todos seus amigos de infância ficaram. Lá teriam outros, mas esses aqui não tinham como eles levarem. Não cabiam na mala e assim os carregava somente no coração. Sua despedida foi por ele (Caxumbinha) assim narrada, ‘…eu me emociono sempre quando chego aí (Três Fronteiras), pois aí eu me sinto em casa e vocês são a minha família.
Na verdade todos nós temos um pouquinho de cada um de nós. No nosso tempo a rua era a extensão do nosso quintal.
A rua era toda nossa.
Eu me lembro quando saímos daí no final de 1973, fomos a primeira família a se mudar.
Viemos para São Paulo de trem, até hoje eu tenho a imagem da Estação cheia de crianças que foram se despedir da gente.
Lembro-me que, quando o trem fez a curva e a Estação sumiu da minha visão, eu entrei em desespero e chorei até dormir e acordar na Estação da Luz, para uma nova etapa da minha vida…’

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