MENDEL E ‘ZÉ JAPONÊS’

Publicado em 26/10/2019 00:10

Chegará o Dia de Finados, sábado, 2 de novembro. E são tantos ilustres enterrados em Três Fronteiras.
Quero lembrar o artista plástico Mendel.
Trabalhou por longo período na cidade de Embu das Artes.
Mendel era um artista negro precursor do início e de vários momentos do movimento artístico de Embu, nos anos de 1960-70 naquela cidade.
Veio a Três Fronteiras e conheceu Pedro Takayama, o Nori, hoje proprietário do conhecido ‘Celeiro Santa Fé’, que o acolheu carinhosamente fixando residência ao lado da casa do Ojisan Zé Japonês e ali recebeu o que os orientais mais sabem dar, atenção, respeito e carinho. Penso que tenha tido sorte e felicidade o velho Mendel.
Talvez poucos vão visitá-lo no campo santo, mas o Naia não falta e sempre presta homenagem individual e introspectiva ao nosso artista.
Tinha característica na pintura que o distingue de todos os pintores do mundo.
Seus quadros são únicos. Quem quiser conhecer no escritório de O Jornal o nosso artista pintou um quadro em homenagem ao saudoso advogado Alcides Silva que é uma obra prima.
Aprendi com o ‘mestre da pintura’ aulas de filosofia que vão além do pensamento comum. Para Mendel o aspecto mais grave e doloroso da dominação colonial foi – e ainda é – a negação de seu patrimônio moral e espiritual.
Dizia que a visão do mundo de seus antepassados é ‘subjetiva’ e assim para mim tudo é vida, vontade e sentimento. Preferia a magia ao invés da ciência. A nossa civilização é da natureza. A misteriosa ‘negritude’ precisa ser conservada intacta no mais profundo de sua consciência.
Mendel desprezava a ajuda da ‘bondade indulgente’, a falsa solidariedade que, na verdade, mostra soberba. Não acreditava na piedade do ‘forte’ para o ‘fraco’. A verdadeira solidariedade pressupõe amor e respeito. Assim, respeito, estima, compreensão, ausência de julgamento são partes essenciais da construção da igualdade humana.
O seu Zé Japonês e família souberam – como ninguém – tratar Mendel com dignidade.
Foi o encontro do africano com o japonês, que insondáveis os desígnios de Deus vivem em harmonia no céu e, aqui na Terra, prestamos as devidas homenagens a esses dois amigos que representaram a igualdade da raça humana.

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