NOS TEMPOS DOS FESTIVAIS

Publicado em 30/03/2019 00:03

A festa era nacional. Os poetas faziam suas letras desfilarem festivamente nas passarelas de música.
O Festival da Record revelou Caetano Veloso, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Edu Lobo, Gilberto Gil, dentre outros de conhecimento nacional.
Nossa urbe, hoje Estância Turística, já teve seus festivais que povoam a memória regional.
Magno Martins, à época, encantou a todos com uma música que fazia uma ode à lua. João Borges, Edilson Correa e Vaguinho, dentre outros, eram os representantes de Santa Fé do Sul.
Lembro-me que outro poeta escreveu para a sua musa Ivana, ‘imagino-te luzindo, frondosa em todo morenagem’.
O pateta foi homenageado em música, ‘Eh pateta superpateta, eh pateta supervisão. Eu queria ser pateta para não entender os motivos das guerras que nos fazem sofrer…’.
O saudoso poeta Edmar Alcade vinha de Garça e interpretou a música ‘cantar’, ‘Canto porque cantar me faz feliz. Cantar entre as paredes e ruínas desse país…Cantar sem meditar que a morte cala minha voz, imaginariamente como oz. Canto e meu canto forte vem dizer que a maldade é a ignorância do mortal pelo saber. Canto para o pranto sucumbir nesse mar turbilhonado e alegria emergir…’.
Preá, também de autoria de Edmar, era uma música brejeira e bucólica, com erros intencionais. Lembro-me de algumas partes, ‘Veio Dunga de cachimbo bafava oiando da varanda a preseguição….Um dia cá chegou o pogresso, bicho crué prá distrui…Adonde deslizava o rio lobo ele represô e botô usina e no lugá das taperinhas da ardeia, hoje há um parque indústria que apita e bafeja fumaça, imbaçando a arma do povo rurá. Abeia não tem mais a fror. Fro de liz pro sumo suga…’.
Participei representando Três Fronteiras e fiz uma música que no início era falada e bem representava aquela época, ‘Esta música é uma homenagem aos presos políticos da América Latina, que não podem gozar de qualquer anistia, por mais ampla que seja, mas que ressuscitam a cada instante seus pensamentos em nossas consciências’. Na parte cantada dizia ‘Se me calam a voz. Espero a vez. Se me tombam ao dia. Levanto a noite.’
Noutra música, à época, Jamil, cantor de Londrina, cantou minha poesia, ‘E querem nossas íris verdes acessas, mas são apagados olhos castanhos fora dos padrões de beleza. Acham-me uma pessoa estranha só não acham meus defeitos. Procuram nos meus longos cabelos, na camiseta amarrotada, desenhada no peito.’
Os tempos eram, sem rusgas, e festivos, mas também de protestos em face da Ditadura Militar!

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