O CIENTISTA E O COMPUTADOR

Publicado em 10/11/2018 00:11

Quando eu era criança me perguntavam – e os grandes sempre querem saber – o que eu queria ser quando crescer.
-Respondia imediatamente, cientista.
Depois – já adulto – tornei-me advogado.
Digo não.
Tornei-me cientista.
Direito sem ciência não é Direito. É arremedo de Direito.
Quem deixa o Direito se levar exclusivamente pela técnica não faz Direito, embora o Direito não descarte resultado.
Escrevi em minha Introdução ao Estudo do Direito e aqui repito que o Direito é uma ciência social, pois já diziam os romanos ‘ubi societas, ibi jus’, para caracterizar o fenômeno jurídico como decorrente da sociedade.
Direito é também ciência cultural, vez que é processo e produto cultural. É produto cultural porque representa o resultado da atividade criadora do espírito visando à satisfação de necessitais próprios do homem ou da sociedade em que vive.
Por fim, afirmamos que o Direito tem caráter normativo. É ciência normativa porque predica normas, numa primeira visão. Depois, o Direito é considerado ciência normativa porque o objeto do Direito é a norma (Kelsen).
Carlos Cossio (Escola egológica do Direito) contesta dizendo que o objeto do Direito é o comportamento do homem (a conduta).
Concluindo, abstraindo-se o pensamento egológico, o Direito é ciência social, cultural e normativa. Logo, somos cientistas.
Advogados, promotores e juízes não podem se esquecer que são cientistas, para não se tornar ‘meros técnicos’, reduzidos a objetivarem a utilidade da lei.
Quem não gravitar sua atividade em torno desse pensamento não será bom advogado, juiz ou promotor.
Leve esse segredo, seja um cientista na área jurídica e evitará frustrações.
Os operadores do Direito trabalham com ciências jurídicas (sociais) e, por isso, o computador não os substituirão. A tecnologia (o computador) será nosso mero instrumento, assim como a ‘máquina de escrever’.

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