OS PLEITOS E AS MÚSICAS

Publicado em 28/03/2020 00:03

Falando ainda sobre pleito eleitoral, em continuidade, às memórias retratadas na semana passada lembro quando Cidinho Carrasco foi candidato a prefeito e eleito juntamente com Flavinho, vencendo Zafalon e Deraldo.
A música-paródia que o Jorge do ‘Farrasom’ adaptou para os candidatos foi ‘vai dançando na boquinha da garrafa’ para ‘vai votando no Cidinho e no Flavinho’. ‘É no Cidinho e no Flavinho’, pegou fogo naquela urbe e não havia quem não cantasse a música de campanha eleitoral. Foi o ‘Tchan’ da campanha.
Orestes Quércia era governador e não queria perder a eleição para Paulo Maluf, que veio forte prometendo a ‘Rota na Rua’.
Para combatê-lo nas urnas, Quércia escalou Fleury, que era seu secretário de Segurança Pública, começando a campanha com três por cento dos votos. Sagrou-se vencedor e se tornou governador dos paulistas. Sua música ‘Fleury o homem que veio do povo. Fleury’.
O fato pitoresco da campanha foi o cata-vento distribuído para as crianças. E muitos pais tinham que pedir brinquedo colorido que gira ao sabor do vento, porque toda criança queria, ainda que a contragosto do pai que fosse malufista e acreditava em ver a ‘rota na rua’. Num linguajar popular, o tal cata-vento foi uma ‘praga’ na campanha ou como se diz ‘pegou’.
Noutra oportunidade não perdi o show de Felipe e Falcão patrocinado pelo candidato Paulinho Zuri, que vieram cantar e dar um show, já que era permitido à época o ‘showmício’, no cruzamento das ruas 3 com a 24, se não me falha a memória.
Abandonei a campanha em Três Fronteiras e vim ver os meus ídolos cantores. E meu amigo Paulinho Zuri, todo esperançoso no palanque, vestido de branco, mesmo assim não deu certo. Armando e Arlindo adaptaram o Ilariê da Xuxa que empolgou a cidade com o verso: ‘Ila Ilariê ô ô ô Armando e Arlindo vai dando o seu valor’, acho que adaptadas pelo jornalista, músico e artista Raimundo Silva.
Jânio Quadros volta ao Brasil, depois da renúncia e se candidata a prefeito de São Paulo. O adversário Fernando Henrique Cardoso aparecia nas pesquisas como o vencedor daquelas eleições. Na véspera das eleições os jornais e revistas colocaram FHC sentado na poltrona de prefeito para nos dias subsequentes fazerem a capa, com os dizeres: ‘FHC é o novo prefeito da capital’. Sua música de campanha castigava Jânio: ‘A pátria mãe tão distraída, não sabia que era subtraída pela renúncia de um fujão…’.
Porém as urnas, por vezes, surpreendem os concorrentes. Aberta e contando-se os votos, Jânio Quadros foi eleito para governar a capital bandeirante.
Logo que assumiu, Jânio convocou a imprensa, em seu gabinete, e para surpresa, tirou um frasco e dedetizou a cadeira em que Fernando Henrique Cardoso havia sentado.
As músicas e as campanhas têm as suas intimidades e as urnas seus segredos.

Última Edição