OS TORCEDORES, OS TÉCNICOS, OS ‘JUÍZES’ E O PÊNALTI

Publicado em 19/08/2017 00:08

Hoje juiz é denominação exclusiva daquele que, representando o Estado, entrega a prestação jurisdicional, aos cidadãos; ‘é o homem da capa preta’. Nos meus tempos de menino na rua em três Fronteiras o árbitro de futebol era um juiz.
Tivemos dois ‘juízes’ que ditavam as regras de jogo de futebol em Três Fronteiras, nos anos oitenta: um era o senhor Rabeschini, pai do investigador de polícia Rabeschini e vô do meu amigo Fabiano Rabeschini, e o outro era o Tonhão Bertolo, pai dos ‘Micuins’, do Tim e do Pardal.
Para apitar o jogo, ambos eram sérios e enérgicos.
Antonio Bertolo, que foi por muitos anos funcionário público municipal, nos tempos do Gersinho e do Tito, pai do Teco, gostava de apitar o jogo do Juvenil Três Fronteiras. Os jogos eram todos aos domingos à tarde e no local hoje é o prédio da Prefeitura, de onde o Bim Belão administra a cidade; era ‘um rapadão’, sem nenhuma grama, o terreno aclive e quem ‘atacava prá baixo’, no segundo tempo, tinha grande chance de sair vencedor da partida.
Em um desses jogos contra o Córrego do Cervo, do meu amigo Bita, Euclides Senedezzi, do ‘Nheca’, do Valírio Vieira e do saudoso ‘Capadô’ (Luiz Humberto) estávamos empatando o jogo e ‘atacávamos pra cima’, pois perdemos no sorteio. O Nori, filho do seu ‘Zé japonês’, apesar da origem nipônica é o mais brasileiros dos descendentes: manhoso e tinhoso e aprontou uma das suas. Conto a estória.
Os jogos, na época, eram marcados com antecedência e nós já tínhamos ido ao Cervo e o jogo era de volta, caso a equipe não comparecesse perdia a garantia, um certo valor representado pelo cheque. Não é que, durante o jogo, o Nori (Pedro Takayama) se dirige ao ‘juiz’ e diz: ‘acaba o jogo, vamos ‘pros pênalti’ –. Tonhão, de pronto, responde: “cai na área que eu dou pênalti’…”. Aliás, as faltas já cometidas durante a partida, repetidas vezes, pelo Mikio Takayama (hoje nosso Dentista) o Tonhão não apitava.
Aí, no finalzinho, Nori pega a pelota e como era ágil e bom jogador, foi driblando, mas a bola escapou aos pés, ele, ‘malandramente’, se jogou ao chão. Imediatamente ‘nosso juiz’ apontou em direção à cal, marcando o pênalti, cumprindo o prometido. Ninguém bateu aquele pênalti, a equipe se retirou de campo e perdeu a ‘garantia’ – cheque dado no jogo de ida para garantir o comparecimento da equipe e punição em caso de abandono..
Tínhamos inúmeros torcedores, técnicos e juízes apaixonados e fanáticos pelo ‘Juvenil Três Fronteiras’, tal qual Seu Dito, pai do Rivelino, Seu Antonio Alonso, pai do Florisvaldo, Seu Zé Binheli, Seu ‘Zé Japonês’, seu Chico Carrasco, pai do Cidinho e do Salvador, o João ‘Mecânico’, pai do Bruno Nilsen. Os eternos técnicos (que ensinavam a arte do útil) foram ‘Paladar’ e João Rodrigues, recentemente falecido que é irmão do Ritinho, do Cosmo, do Damião, do Fininho e do Cido, porém os árbitros eram e sempre foram, Seu Antonio Bertolo e Rabeschini que, tal qual o juiz de direito, por dever, ambos têm de ser imparcial e Tonhão Bertolo também era; porém naquele jogo, ao marcar o pênalti, enxergou segundo sua paixão e fanatismo nutridos por nós. Eu (jogador) também achei que foi pênalti juntamente com todos os torcedores (do ‘Juvenil’ é claro e óbvio).
MORAL DA HISTÓRIA: Ao julgar não se deixe dominar pela paixão ou fanatismo, pois a paixão ofusca a visão e o fanatismo deixa cego. Saudades, de coração, desses nossos queridos e eternos torcedores, técnicos e ‘juízes’ e registro, nessa crônica, a homenagem especial a João Rodrigues e a história de um povo lutador e humilde.

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