PASCOALÃO

Publicado em 5/08/2017 00:08

O Joel, que trabalha na Prefeitura e hoje é locutor da ‘Voz do Vale’, tem esse apelido em referência a essa lenda musical de nosso município.
Todos hoje se lembram como Joel (anteriormente à operação) era grande no tamanho. A semelhança física gigantesca levou o povo a atribuir o apelido ao Joel de ‘Pascoalão’.
Pois bem, Pascoalão era um pouco maior. E maior ainda quando tocava trompete. Era um músico de primeira. Acho que era da família Rodrigues, músicos invejáveis.
Treinava todos os dias. Fazia conjunto. Eu mesmo e o Maninho (filho do professor Luizinho) participamos de alguns bailes. Mas o show particular era do Pascoalão. Eu que nem toco direito pandeiro participava de seu conjunto, quando criança, mas nada interferia, pois ele sozinho dava o show, ‘tocava um baile’, fazia a festa, seja Carnaval ou não.
Antes de participar do conjunto, o saudoso Kimolé, irmão da Olívia (Vovó) e da Tia Dete, ensinava-me alguma arte… E uma delas era perturbar o Pascolão.
Conto a história.
O trompete é um instrumento de sopro que exige que todos os músculos da boca, além da língua e a saliva estejam em completa harmonia…(sem excesso).
Não é que o Kimolé me chamava com outros inúmeros garotos, que não me lembro o nome e falava, quando o Pascoalão for tocar vocês começam a chupar esse limão perto dele.
Não precisou falar duas vezes.
Íamos ao Centro Comunitário com a tal fruta cítrica e quando o Pascolão iniciava seus treinamentos começávamos, um a um, a chupar o limão.
Tocando trompete e olhando os ‘moleques’ a chuparem os limões formava-se uma ‘baba’ e o nosso protagonista Pascoalão não conseguia mais treinar. Ficava irritado, xingava e queria pegar ‘aquela molecada’. O Kimolé logo apelidou o tocador de ‘Las Babas’.
Até hoje não consta que Pascoalão alcançasse alguma criança na carreira.
Pelo contrário, muitas crianças com ele aprenderam somente o gosto pela música e hoje o tenho em minha memória com o respeito que ele sempre mereceu e merece.
Nossa sorte é que ele era grande e eu e toda a molecada magrinhos e com as pernas longas…
A verdade é que até hoje não consegui entender cientificamente o por quê ao tocar o instrumento musical de sopro, em aerofone da família dos metais, também conhecido como pistão não combina com o chupar da fruta azeda originária da região sudeste da Ásia, trazidos da Pérsia pelos conquistadores árabes, que o disseminou por toda a Europa.
Bom, não tivesse o limão vindo da Europa e atravessado o Atlântico, chegado ao Brasil para ser plantado em Três Fronteiras, e assim o Kimolé não ensinava os meninos da tríplice fronteira chupá-lo para atrapalhar o ‘Pascoalão’ a tocar trompete. Só sei que aqui em nosso município, na minha infância, o instrumento de sopro com a fruta cítrica dava correria, e não som musical.

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