PEDRINHO E O APELIDO

Publicado em 16/09/2017 00:09

Antigamente ninguém ia à beira do campo sem portar um rádio, aparelho que recebia transmissões principalmente de jogos de futebol, nossa paixão nos anos 70. Era, pois, o principal processo de transmissão através do rádio, usando modulação em amplitude. Era transmitido em várias bandas de frequência. Foi por oitenta anos o principal método de transmissão via rádio.
Caracterizado pelo longo alcance dos sinais, a frequência AM está sujeita a interferências de outras fontes eletromagnéticas. Tinha ‘chiadeira’.
Porém a narração de Fiori Gigliotti parecia trazer o jogo à nossa vista. Era como se estivéssemos dentro do Estádio, assistindo presencialmente ao jogo.
Você, naquela época, possuir um rádio e ainda da marca Mitsubishi era como possuir hoje, respeitada a proporcionalidade, um veículo da marca Ferrari.
E o trabalhador Pedro adquiriu um, quando éramos crianças.
Pedro fez parte da equipe do ‘Juvenil Três Fronteiras’.
Conto a história.
No campo onde treinávamos e jogávamos, onde hoje localiza o prédio da Prefeitura o nosso querido Pedrinho chegou todo feliz.
Percebemos que ele portava algo envolvido nos braços.
E perguntamos:
– Hoje você não vai treinar?
Respondeu que não, porque iria ouvir as notícias de futebol no seu ‘mistubiche’ e era verdade, porque de maneira alguma Pedrinho queria se exibir, pois era – e é – uma pessoa humilde e muito simpática.
Só que não prestou ao pronunciar erradamente a marca de seu novo objeto.
Por isso até hoje o chamamos carinhosamente de ‘Pedrinho mistubiche’.
Continua com a mesma honradez, trabalhador, vez que é construtor na cidade de Três Fronteiras e sempre adquirindo os objetos, com esforço de seu trabalho, sem vaidade e muito prestativo aos amigos.
Porém não ficou por aí.
Pois daí começamos a apelidar os colegas, tais como Tiorinha, Bukão, Sarió, Jeca, Rivelino, Pardal, Pica-pau, Cabeção, Girino, Maninho, Ceará, Profeta e a lista é imensa.
Cada apelido tem sua história, assim como cada gol feito ou pênalti errado está gravado em nossas memórias, pois o que fica nela são fatos que marcaram nossas emoções.
E cada um tem a sua!
A memória é, pois, emocional, já que gravamos o que toca nossos corações, os outros fatos ficam esquecidos. Pedrinho será sempre lembrado por sua dignidade de honesto trabalhador e amigo-símbolo do ‘Juvenil Três Fronteiras’. Bom seria se o Joesley Batista tivesse jogado no ‘Juvenil’ e tivesse conhecido o Pedrinho e não estaria preso. Hoje todos soltos, apelidados ou não, vivemos felizes.

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