SALVEM-SE DAS BALAS PERDIDAS

Publicado em 24/02/2018 00:02

A agressividade tem o significado de aproximar-se de alguém. E a pessoa pode aproximar, tanto agredindo, mas também no sentido positivo de espírito de iniciativa, de empreendedorismo.
Ocorre que a campanha da fraternidade vem falar da violência no sentido negativo daquele que ataca os outros, seja física ou moralmente, por palavras ou ações, com a finalidade de mostrar superior ou, mesmo, de fazer sofrer.
A campanha da fraternidade deve abordar, além da violência individual, que é o atentado contra a integridade física ou a saúde física e psíquica (ou a própria vida) de outrem, falar também e principalmente da violência estrutural.
A violência estrutural é a mais perversa e se dá na entrada em funcionamento e na manutenção de estruturas políticas, econômicas e militares, no interior das quais, países desenvolvidos, por um lado, e países subdesenvolvidos de outros, no âmbito internacional, geram disparidades gritantes. No âmbito interno de cada país, a violência estrutural se manifesta no desequilíbrio das partes no orçamento aplicadas, realmente à distribuição de rendas, à educação e à saúde. Ela aparece, igualmente, nos desequilíbrios regionais, na distribuição de rendas iníquas, na desvalorização do trabalho humano, em benefício da especulação.
Diante da violência não se pode pensar só em repressão, como solução.
Tem que se pensar, igualmente, nas suas causas e origens.
As autoridades, ao intervirem no Rio de Janeiro, com a sanha da repressão, poderão, ao combatê-la, causar uma violência maior e isso é motivo de preocupação. Entretanto, corre-se o risco de criar condições para a criação de uma reação igual e contrária, criando uma atitude audaciosa frente à repressão.
Os mencionados ‘mandados coletivos de buscas e apreensões’, além de ilegais, ferem a Constituição da República. Não se combate a violência com violação da ordem jurídica.
O combate à violência acontece, outrossim, no campo de criação de esperança para quem está acuado, de oferecimento de oportunidades de saída para quem está isolado.
O combate à violência se faz, principalmente, com justiça social.
Dos confrontos – dos policiais com os bandidos – poderão atingir pessoas inocentes e chegando a uma dimensão descontrolada instalar a ‘guerra civil-militar’ no Rio de Janeiro e aí ouviremos o grito: salvem-se das balas perdidas!

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