SANCHEZ E OS GOVERNADORES

Publicado em 23/09/2017 00:09

Na época – nos anos 80 – em que tínhamos alguns prefeitos sisudos, Sanchez era diferente.
A casa sempre foi aberta a todos.
Era um homem que não tinha adversários e participava da política como se disputa um jogo de futebol, com alegria.
Aliás, alegria era a sua palavra-símbolo.
Bem por isso mesmo deixou lindas e belas histórias.
Naquela época adversário político deveria ser tratado como inimigo e ‘todo mundo fiscalizava todo mundo’. Como se diz o ciúme político é pior que o ciúme de mulher.
Sanchez tratava todo mundo com cordialidade.
Conto a história.
Em uma eleição para governo de São Paulo, Sanchez recebia amigos antigos da grei malufista, recebia quercistas e recebeu também os apoiadores de Antonio Ermírio de Morais.
Os outros prefeitos o entregavam dizendo que Sanchez estava ‘pulando de galho em galho’, que ‘estava em cima do muro’…
Vez ou outro um político o cobrava dessa situação.
Um dia de tanto o apertarem Sanchez explicou:
– Nós do Maluf, apoiamos o Quércia e votamos no Antônio Ermírio…
Ninguém entendeu nada, mas era para não entender mesmo.
A sua família mantém a tradição de receptividade e ele deixou muitos amigos que, esparramados, mas de saudosa memória, lembram e relembram que Sanchez faz muita falta e que falta as pessoas como Sanchez fazem.
Faleceu na Estrada 12, jogando truco com os amigos, simples, como sempre viveu.
Bem fez Sanchez em manter a amizade com todos, porque o que adiantou aqueles que brigaram por este ou aquele. Nada.
GILBERTO ANTONIO LUIZ

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