VIOLÊNCIA SOCIAL

Publicado em 4/08/2018 00:08

Se a memória não me falha, foi do saudoso Joelmir Beting que ouvi a afirmação de que é mais fácil fazer uma revolução do que distribuir riquezas. Hoje vejo que o grande economista tinha – e tem – razão. Isto porque a ideia dominante é a de que a desigualdade humana é uma lei suprema e eterna, na qual nenhum governo deve mexer. Outros, ao contrário, acreditam que a desigualdade é fruto de um sistema social e econômico equivocado e injusto. Nessas eleições todos os candidatos vão se apresentar na televisão com discurso revelando necessidade de ‘mudança’ e, portanto, revelando que o sistema social e econômico é injusto. Eleitos vão migrar para a posição segundo a qual a ‘desigualdade é uma lei suprema e eterna’, na qual nenhum governo deve mexer…’. Vão afirmar que não precisa de política pública de distribuição de renda e que não se pode mexer em privilégios e quem nasceu para ser pobre, nasceu para ser pobre, e assim deve a vai morrer e não precisa de apoio (vale dizer, não precisa de políticas públicas de distribuição de renda). Quem acredita em um Estado Liberal tem a intuição que o Estado não pode interferir na economia e que ela, sozinha, vai beneficiar a todos.   Ledo engano!  Primeiro, porque o Estado nunca vai ser ‘neutro’ e, via de regra, vai pender para um lado e, se pender para ‘manter o status quo’, não vai ter mudança e, sem mudança, continua como está… e com privilégios e sem políticas públicas de distribuição de renda. Vale dizer, vão continuar o tratamento arbitrário e caprichoso dado a certas pessoas e a certos grupos sociais, econômicos ou políticos.  Na rua continuarão os meninos abandonados, os sem teto (não se terá política de habitação, por exemplo), enfim…os sem destinos…porque a desigualdade é uma lei eterna e suprema e assim não se deve interferir na economia.  Penso que a desigualdade é o ‘fundamento’ da violência social.

Última Edição