VIVA A CULTURA

Publicado em 12/05/2018 00:05

Há tempo não encontrava Leopoldinho, cineasta e pessoa profundamente ligada à cultura (autor e diretor do documentário ‘O Profeta das Águas). Um santafessulense diferenciado. Fui revê-lo na Padaria do ‘Jipão’, onde saboreamos o tradicional ‘bauru’.
Isso me fez fazer uma reflexão sobre o tema.
Para início é preciso compreender que cultura é uma atividade ou o poder de criar valores.
Ela deve ser entendida amplamente a todas as expressões e manifestações do humano. Cultura não se confunde com ‘conhecimento formal’ (o autodidata é prova).
A cultura é coisa séria e é feita de valores éticos, políticos, econômicos e estéticos vividos pelo homem.
Cultura não é serpentina jogada, ou adereços espalhados. É gente sambando. É gente (antropologia)!
A cultura hoje vai além da ‘inteligência’ e da ‘boa vontade’.
A sua universalidade espanca as ideias arcaicas de ‘separação’ e de ‘oposição’ entre as diversas formas de atividade humana.
Muitas – mas muitas pessoas – só conhecem o valor ou a força do Estado (ou vivem nele pendurado) ou o ‘poder do dinheiro’.
Para essa corrente o concreto é só o tangível. Não acreditam nem mesmo no que ouvem ou no que veem. Ignoram o sentido dos ouvidos e dos olhos. São impermeáveis. O ‘pensamento’ não passa de uma quimera (ou ‘utopia’) inútil, o que é lamentável.
Triste fim de quem assim propaga.
A cultura é algo transformador.
Uma cidade ou um país só se realiza através do indivíduo quando este exprime, através de sua personalidade, a vontade social, sedimentado na criatividade, concebida de forma a refletir na sua obra a solidariedade humana.
Em um mundo ‘virtual’ o que faz falta é a solidariedade e o que mais precisamos são de artistas para revigorarem o relacionamento humano e darem sentido à vida.
Viva a cultura! Sem ela o mundo e a História não serão ‘humanizados’. Serão ‘idiotizados’ ou ‘robotizados’ e ambas as situações são tristes e deprimentes.
A história do nosso povo tem que ser contada e registrada pelo próprio povo, intimamente ligada aos diversos contextos (tradições, estruturas sociais, convicções religiosas etc) para não se tornar em um ‘gênero de literatura’, mas sim em gênese, compreensão e evolução da raça humana.
A lente de Leopoldinho é mágica e cristalina, assim como sua visão de mundo (cosmovisão). Repito, viva a cultura!

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