Apae de Santa Fé do Sul, há 44 anos prestando serviços de excelência

Publicado em 2/12/2017 00:12

Por Lelo Sampaio e Silva

As raízes históricas e culturais da questão da “deficiência” sempre foram marcadas por forte rejeição, discriminação e preconceito, e foi justamente diante da ineficiência do Estado em promover políticas públicas sociais que garantissem a inclusão dessas pessoas, surgiram no Brasil famílias empenhadas em quebrar paradigmas e buscar soluções alternativas para que seus filhos com deficiência intelectual ou múltipla alcançassem condições de serem incluídos na sociedade.
Desta forma, nos anos 50 surgiram as primeiras associações de familiares e amigos que se mostraram capazes de lançar um olhar mais propositivo sobre as pessoas com este tipo de deficiência, com a missão de educar, prestar atendimento médico, suprir suas necessidades básicas de sobrevivência e lutar por seus direitos.
Foi então que, no Brasil, essa mobilização social começou a prestar serviços de educação, saúde e assistência social a quem deles necessitassem, em locais que foram denominados como Apae – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais –, constituindo uma rede de promoção e defesa de direitos das pessoas com deficiência intelectual e múltipla, que hoje conta com cerca de 250 mil pessoas com estes tipos de deficiência, organizadas em mais de duas mil unidades presentes em todo o território nacional.
O entrevistado de hoje é Arnaldo Poleto, presidente da Apae de Santa Fé do Sul.
Segundo ele, o nome Apae é muito forte, o que facilita a captação de recursos via doações. “Se assim não fosse, seria muito mais difícil, porque quaisquer eventos que fazemos com o intuito de captar recursos somos muito bem recebido. Além do mais, temos uma central de doação que recebe constituições diariamente, as vezes de pessoas que nem querem se identificar, e tudo isso nos ajuda muito, pois assim compramos diversos itens necessários para a entidade, como alimentos, por exemplo”, disse o presidente.
Sobre os eventos que a Apae realiza anualmente, ele explicou que são vários. “Este anos fizemos o ‘Porco da Apae’, que nos rendeu R$ 18.000,00; o ‘Churrasco da Apae, com a mesma renda; estamos vendendo uma rifa com 400 números, de uma moto 250 cilindradas, uma moto 125 cilindradas e uma TV 50 polegadas, no valor de R$ 300,00 cada número; entretanto já vendemos aproximadamente 130, e a estimativa é que consigamos ter um lucro de aproximadamente R$ 90 mil”, relatou Poleto.
A Apae realizou também este ano o “Moutain Bike”, cujo lucro foi de R$ 18 mil; a barraca na Festa do Peixe, com renda de R$ 2.350,00, entre outros.
“Muitas pessoas fazem doações através do Programa da Nota fiscal Paulista, que passará por algumas alterações determinadas pelo Governo Estadual. “Para fazer a doação, a pessoa deverá baixar um aplicativo, cadastrar a entidade de preferência, e daí, toda vez que ela for ao supermercado, por exemplo, e colocar o CPF, o valor já vai para a entidade escolhida. Não é difícil, basta ela fazer o cadastramento que o valor do imposto cai diretamente na conta da Apae”, explicou.
O presidente da Apae de Santa Fé disse que da Secretaria do Estado de São Paulo vem um montante de R$ 168 mil; do Ministério da Educação, pouco mais de R$ 94 mil; e uma subvenção do PDDE, R$ 4.420,00, entretanto, segundo Arnaldo Poleto, os gastos com alunos, funcionários, alimentação e outros serviços são muito maiores.
Do setor social, mais especificamente do Ministério de Desenvolvimento Social, de acordo com o presidente, a situação está um pouco complicada. “Estamos no negativo, uma vez que tivemos duas verbas que não chegaram. O Ministério repassa esse dinheiro para a Prefeitura, que faz a distribuição para as entidades assistenciais, entretanto a Apae não recebeu os recursos. Para se ter uma ideia, em 2016 recebemos quatro parcelas somente, de um total de doze, e neste ano nada recebemos, então isso tudo está impactando nosso orçamento este ano, e provavelmente vamos fechar o ano no vermelho”, disse ele.
Ao todo a Apae de Santa Fé conta com 35 funcionários. Na área de terapias são cinco professores, uma fisioterapeuta para a Eco terapia, uma fonoaudióloga, uma terapeuta ocupacional, uma psicóloga, uma fisioterapeuta que trabalha com exercícios localizados e massagens, e uma assistência social. Para as terapias, são uma professora de música, uma professora para a horta, cozinheira, nutricionista, um professore de Educação Física, um técnico em computação para ensinar os alunos temos um técnico que ensina computação, uma professora de dança, de artesanato, o motorista do ônibus, dentre outros profissionais.
Atualmente a Apae conta com 117 alunos, sendo 9 de Três Fronteiras, 80 de Santa Fé do Sul, 6 de Rubineia, 2 de Santa Rita, 5 de Santana da Ponte Pensa, 9 de Santa Clara D’Oeste e 3 de Nova Canaã Paulista.
Questionado sobre como as prefeituras da Comarca ajudam financeiramente a entidade, Arnaldo Poleto explicou que “este ano foi uma dificuldade não só para a Apae, mas para as prefeituras. No entanto, ficamos sempre a mercê doque as prefeituras podem doar, até porque nunca lhes fora apresentado o custo que temos, para justificar para eles o quanto e porque nós gastamos tanto, então no próximo ano nós vamos mostrar para os prefeitos a insuficiência financeira que está vindo para a Apae.
Subvenções municipais
Cada prefeitura ajuda com alguma subvenção, sendo a de Santa Fé do Sul, com R$ 50 mil; Santana DA Ponte Pensa, R$ 12 mil; Rubineia, R$ 1 mil; Nova Canaã, R$ 1 mil; Três Fronteiras, R$ 1.500,00 e Santa Rita e Santa Clara, um salário mínimo por mês casa.
Poleto relata que esta verba é deveras insuficiente, haja vista que a entidade, para ser mantida de forma adequada, necessita de o dobro do que recebe de todos os órgãos.
“A Câmara Municipal aprovou recentemente uma lei que autoriza Saae a inserir no campo específico da fatura mensal uma doação espontânea previamente autorizada pelo consumidor, e isto é muito bom. A Apae vem procurando meios e caminhos para ter um rendimento fixo, coisas que deem retorno constante. Estamos preparando um dossiê com os seis tipos de terapias desenvolvidas na entidade, com fotografias e dados minuciosos para apresentar ao secretário Municipal de saúde, para ver se conseguimos alguma verba fixa, ou encaixar um convênio para a Apae. Além do mais, quem sabe algum convênio com o SUS.
Quero pedir para que as pessoas colaborem, além daquilo que já vem colaborando, porque a Apae é de todos nós e sabemos da importância que ela tem para o município de Santa Fé do Sul”, concluiu Arnaldo Poleto.

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