CRA, 42 anos de prestação de serviços à população

Publicado em 28/10/2017 00:10

Por Lelo Sampaio e Silva

O Jornal está fazendo uma série de reportagens com as entidades assistenciais do município para saber como cada uma delas funciona, seus acertos e desacertos, suas necessidades básicas e se vêm ou não tendo apoio dos governos Municipal, Estadual ou Federal.
A entidade desta semana é o CRA – Centro de Referência e Apoio à Criança e ao Adolescente-, cujo presidente é Valcir Herrera Rodrigues.
Fundado em 19 de novembro de 1975, o CRA, na época denominada Guarda Mirim de Santa Fé do Sul, surgiu justamente devido a preocupação de algumas lideranças comunitárias com o adolescente carente do município. A preocupação desses membros, dentre eles Arlindo Sutto, Alcides Silva, Éddio Mário Vergamini, Helvécio Botelho Siqueira, João Soares Borges, Vasco Figueiredo, dentre outros, era encontrar um local para implantar um trabalho que oferecesse formação e melhores condições para os adolescentes.
Em meados de 1977, a Guarda Mirim foi a executora do Plimec – Plano de Integração do Menor e da Família à Comunidade. Recebia crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos, que viviam na ociosidade. Recebiam educação de base, higiene, merenda, recreação e outras orientações que se fizessem necessárias.
Em 1998 o então Plimec passou por uma reestruturação em seu estatuto social e também em sua denominação, que passou a ser chamada de CRA – Centro de Referência e Apoio à Criança e ao Adolescente –, que, juntamente com o Senai – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, passou a ter a missão de preparar o adolescente para o mercado de trabalho.
Segundo o presidente do CRA, Valcir Herrera Rodrigues, a entidade desenvolve atividades com adolescentes entre 16 e 18 anos, através do curso preparatório de assistente administrativo, com duração de aproximadamente três meses, além de palestras, e outros cursos que ocorrem também dentro desse período, como o de Enfrentamento ao Trabalho e a vida; Como se Comportar em uma Entrevista de Emprego; de Ética, além das palestras com a Guarda Civil Municipal, Corpo de Bombeiros e profissionais da Saúde, com o objetivo de prepará-los para o mercado de trabalho. “A entidade também emprega os adolescentes como menores aprendizes nos estabelecimentos e indústrias da cidade”, disse Valcir.
Para ser um aluno do CRA, é necessário que o adolescente tenha no mínimo 16 anos, que esteja estudando ou tenha completado o Ensino Médio. “Desta forma, ele pode fazer o curso, e depois trabalhar em algum local como menor aprendiz até que complete 18 anos”, afirmou o presidente da entidade.
Na entidade é oferecida uma turma no período da manhã e outra à tarde, e, em cada uma delas, estudam 45 alunos, perfazendo um total de 90.
Ao todo, o CRA possui 170 alunos empregados em Santa Fé do Sul, nos mais diversos setores do comércio.
O presidente também informou que os jovens aprendizes são registrados pelo próprio CRA. O empregador paga o CRA e a entidade repassa o salário integral ao assistido.
Questionado como o CRA se mantem, Valcir explicou que o empregador paga todos os impostos do funcionário jovem aprendiz, além de uma contribuição mensal. “Hoje, nós atendemos todos os municípios da Comarca e cada Prefeitura nos repassa um salário mínimo. Além da Fundasul, eventualmente repassa algum valor, no ano passado, ela repassou R$ 4 mil e este ano, R$ 2.350,00. Os jovens que fazem o curso em, se forem de outras cidades ou trabalharem em Santa Fé, têm o transporte custeado pela Prefeitura de suas cidades.
“Da Prefeitura de Santa Fé, nós também recebemos um repasse vindo do Governo Estadual, no valor aproximado de R$ 1.900,00 por mês. O Governo Municipal de Santa Fé do Sul também nos ajuda na alimentação desses menores, pois logo de manhã, quando eles chegam, os mesmos tomam um lanche. Já para os alunos do período da tarde, o lanche é no intervalo do curso”, explicou.
Valcir explicou que para manter a entidade não é tarefa fácil, até porque são oito funcionários, sendo um administrador, um escriturário, dois monitores, um menor aprendiz, pois contratamos também menores aprendizes para prestar serviços a nós como se fossemos uma empresa, além duas pessoas para a limpeza, e uma assistente social.
Ele ressaltou, entretanto, que, com a ajuda de todas as prefeituras, o trabalho do CRA vem sendo executado de forma bastante satisfatória.
Indagado sobre o verdadeiro papel do CRA, o seu presidente explicou que a maior preocupação da entidade assistencial é formar cidadãos. “Todos nós temos um pouco mais ou um pouco menos de facilidade para aprender algo, entretanto, o principal objetivo do ser humano hoje é ser feliz, e sabemos que existem muitas pessoas que não possuem muitos bens materiais e são felizes. Creio que o nosso trabalho é justamente contribuir para a felicidade profissional desses jovens, até porque tentamos empregá-los de acordo com suas aptidões. Porém, a meu ver, muitas vezes a pessoa não tem que fazer o que gosta, ela tem que gostar do que faz, porque o mundo as vezes não dá tempo para você fazer o que realmente gosta”, concluiu o presidente do CRA, Valcir Herrera Rodrigues.

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