Cresce a procura por cursos técnicos em Santa Fé do Sul

Publicado em 22/09/2018 00:09

Por Lilian Castilho

Segundo o IBGE, 70% dos alunos com formação técnica profissionalizante têm conseguido boas colocações com até um ano de formado no estado de São Paulo. Os cursos técnicos também proporcionam a possibilidade de fazer estágios e participar de programas de aprendizagem capacitadores.
Os dados também confirmam o aumento pela procura por cursos técnicos, um caminho que tem sido tomado por jovens e adultos de todas as faixas etárias, como solução ao preenchimento de vagas no mercado de trabalho.
Carlos Eduardo Nascimento, 36, técnico em informática, não possui graduação e explicou que optou pelo curso técnico por perceber a falta desse tipo de profissional no mercado de trabalho. “Graduados, nós temos aos montes, e a dificuldade de as empresas constatarem esses profissionais é visível, uma vez que a mão de obra encarece naturalmente só pelo título curricular”, pontou o Nascimento.
De acordo com ele, o curso técnico de qualidade prepara os profissionais para o mercado de trabalho, abrindo as portas com mais rapidez. “Acredito que todos deveriam optar por um curso técnico, é uma chance, até de a pessoa se conhecer e ter a certeza do caminho que quer trilhar e continuar trabalhando e estudando”, enfatizou.
Silvio César Lopes, diretor da Etec – Escola Técnica Estadual – Centro Paula Souza de Santa Fé do Sul, disse que o número de alunos na escola vem aumentando ano após anos e a procura vem de pessoas entre 15 e 60 anos e a faixa etária predominante é a dos 17 aos 30. De 2017 a 2018 houve um aumento aproximado de 5% nas matrículas, levando em consideração que os cursos são semestrais.
Segundo o diretor, atualmente, a Etec santafessulense oferece três habilitações, sendo elas o de Técnico em Administração, Técnico em Informática e Técnico em Informática para Internet, e ambas as últimas possuem uma demanda muito parecida, variando a cada semestre.
Sobre as possibilidades de estágio, no caso as Etecs oferecem o “Aprendiz Paulista’, onde o aluno pode ser contratado formalmente por uma empresa e cumprir uma carga horária de oito horas diárias, sendo quatro horas na empresa e quatro horas na instituição de ensino. “O ensino profissionalizante é uma ótima opção para quem quer se aprimorar, ingressar ou se recolocar de forma mais rápida no mercado de trabalho”, ressaltou o diretor.
Para Silvio, os cursos técnicos sempre tiveram uma boa demanda, é claro que de forma proporcional ao porte da cidade e o perfil regional. As pessoas veem nos cursos técnicos uma forma rápida e acessível de se qualificarem, visto que atualmente há escolas técnicas em funcionamento em todas as regiões do estado, ou seja, só Etecs são 223 distribuídas em todas as regiões do estado. Os cursos são muitos práticos e possuem duração de 18 ou 24 meses.
“De 2008 a 2018 houve um grande aumento na oferta e procura tanto para os cursos técnicos quanto para os cursos superiores. Em 2008, no Brasil havia aproximadamente um milhão de alunos matriculados em cursos técnicos, entre escolas públicas e privadas; neste ano, as matrículas para os cursos técnicos chegam a quase dois milhões. Nos cursos superiores, esse aumento é ainda maior, pois no mesmo período as matrículas saltaram de aproximadamente dois milhões para oito milhões de matriculados”, argumentou o diretor.
Ele explicou ainda que essa proporção é maior no ensino superior, pois houve um aumento de vagas por consequência da multiplicação de instituições de ensino e ofertas de bolsas e financiamentos. “O número de instituições que oferecem ensino técnico profissionalizante não cresceu tanto quanto as que oferecem ensino superior, motivo este que justifica a carência de profissionais técnicos no mercado de trabalho”, pontuou Silvio.
Mercado para profissionais técnicos
Segundo a OIT – Organização Internacional do Trabalho –, 30% de brasileiros entre 15 e 24 anos que procuravam um trabalho, chegaram ao fim de 2017 desempregados. A falta de experiência e baixa qualificação são apontadas como as principais causas.
“Entre as alternativas, especialmente para os jovens, estão os cursos técnicos. O ensino profissionalizante continua sendo uma ótima opção. Para quem faz ou já concluiu um curso técnico, as chances de conseguir um emprego aumentam consideravelmente, também, justamente pela falta desse tipo de profissional no mercado”, destacou Silvio.
Segundo pesquisa realizada em 2016 pela FDC – Fundação Dom Cabral –, das empresas que encontram problemas na hora da contratação, 40% apontam dificuldades em encontrar profissionais de nível técnico. Essa pesquisa foi feita com 200 empresas de grande porte de diversas regiões do país, e juntas elas empregam quase um milhão funcionários.
“Em Santa Fé do Sul, podemos contar com a Etec – Escola Técnica Estadual, vinculada ao Centro Paula Souza. A escola funciona há seis anos. O ingresso em um dos cursos se dá por intermédio do vestibulinho, cujas inscrições acontecem sempre nos meses de maio e outubro. Habitualmente a Etec de Santa Fé do Sul oferece 80 vagas para os cursos técnicos que acontecem no período noturno”, finalizou Silvio Lopes.

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