Lar Orvalho de Luz: há 28 anos cuidando dos idosos com muita dedicação e carinho

Publicado em 21/10/2017 00:10

Por Lelo Sampaio e Silva

Dando sequência a série de reportagens que O Jornal está fazendo com as entidades assistenciais do município, o entrevistado de hoje é Marinaldo Aparecido Gonçalves, presidente do Lar Orvalho de Luz, desde janeiro de 2015. O espaço está localizado na rua 8, nº 2430, Jardim Ana Lúcia.
Trata-se de um lar de idosos que existe há 28 anos, mantido por uma diretoria composta por aproximadamente 30 pessoas, voluntários do Centro Espírita José Alves. “Foram justamente alguns integrantes do centro que criaram o Lar Orvalho de Luz”, disse o presidente.
Ele explicou que todos os voluntários, em suas horas vagas, ajudam nas mais diversas tarefas, como na estruturação de um bazar beneficente, que funciona aos sábados e domingos. Além disso, esses voluntários acompanham os idosos ao médico, ajudam na limpeza do estabelecimento, dão carinho e atenção para eles.
A diretoria do Lar é composta pelo seu presidente; vice-presidente; tesoureiro; secretários e um conselho fiscal, composto por cinco auxiliares gerais, quatro enfermeiras, quatro técnicos em Enfermagem e uma enfermeira padrão, além de uma assistente social.
“Todos os funcionários são devidamente registrados em regime de CLT, de acordo com o sindicato da categoria dos funcionários que trabalham nas entidades assistenciais. Atualmente cuidamos de 32 idosos cuja idades variam de 60 a 120 anos, porém o Lar Orvalho de Luz tem capacidade para abrigar 36 pessoas.
O presidente do Lar Orvalho de Luz contou que o processo para se tornar presidente da entidade se fez da forma mais natural possível. “Sou empresário do ramo da construção civil e, há aproximadamente 10 anos, fui para o Lar dos Idosos com minha amiga Lúcia Garcia, que me convidou para conhecer o Centro Espírita que existe no local. Logo, me convidaram para ajudar nos trabalhos de voluntariado e não muito depois me tornei presidente”, explicou Marinaldo.
Para ser um residente do lar, é necessário primeiramente que a família prove que não tem condições de manter o parente em casa, e isso se dá por diversos motivos. “A pessoa tem provar para a agente que eles não têm condições econômicas, ou quando a vida e segurança dos idosos estão em risco, essa é a condição para ele ir ao lar. A partir do momento em que ele vai para o lar, nós sabemos que o idoso tem que contribuir, e, por lei, temos que devolver 30% de sua renda mensal, para gastos pessoais, como remédio, higiene pessoal, acompanhamento médico, e essas são obrigações da família. Os outros 70% são redirecionados para custos do lar, funcionários, alimentação etc.
Questionado se a contribuição dos 32 idosos é suficiente para a manutenção do lar, seu presidente afirmou que não, mas disse que conta verba estadual mensal que o município recebe e repassa para o lar, no valor de R$ 4.250,00 por mês, e o Governo Municipal repassa R$ 1541,00, o que, segundo ele, embora não sejam suficientes os valores, ajudam muito na manutenção do espaço.
Há relatos de lares em outras cidades da região que os locais são geralmente sujos, os idosos não recebem os devidos cuidados, estão quase sempre sujos, mal alimentados, não recebem a devida higienização como banho e corte de cabelo.
Indagado sobre essa situação, Marinaldo explicou que “graças ao trabalho dos voluntários, funcionários e de pessoas daqui da nossa cidade que contribuem, que nos ajudam com doações, esse trabalho é feito de forma satisfatória. Segundo o Drads – Diretoria Regional de Assistência Social – de Fernandópolis, que nos fiscaliza constantemente, nossos tratos com os idosos estão bastante satisfatórios”, disse.
Ele relatou que há, a cada dois meses, a visita do promotor, que vai lá conferir se tudo está funcionando adequadamente. “Nossas contas são aprovadas anualmente pelo Tribunal de Contas de Fernandópolis e pela Prefeitura”, relatou.
Marinaldo afirmou que não se sente plenamente realizado como presidente do lar. “Não me sinto realizado. A minha obrigação é o bem-estar do idoso, e eu não consigo fazer tudo que eu tenho e vejo que esses idosos merecem. Talvez fosse necessário haver uma contribuição maior, um envolvimento mais efetivo da Prefeitura, no sentido de ajudar mais as entidades. Precisamos ter uma real participação do município, através do Serviço Social da Prefeitura, até porque nossos maiores gastos são com fraudas, remédios e alimento. Vejo que nos falta apoio por parte do Poder Público para nos ajudar a ser uma entidade filantrópica, porque até agora com as administrações anteriores tivemos tanta dificuldade que ainda não conseguimos a filantropia. Para se ter uma ideia, ainda pagamos diversos impostos, como o INSS, água, luz, e o nosso bazar não nos dá o lucro para suprir tudo”, afirmou Marinalvo.
O presidente do lar afirmou que conta com a ajuda de muitas pessoas de Santa Fé, que doam alimentos, roupas, calçados, dentre outros item, sendo que uma quantidade do alimento é cedido ao Cento Espírita que faz, aos sábados, a sopa para aproximadamente 40 pessoas carentes do município, e a outra parte dos alimentos é redirecionada para uma sopa que fazemos no sábado a tarde para em torno de 40 famílias, a gente faz uma doação simbólica que os funcionários arrecadam.

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