Vacinação em queda no Brasil preocupa por risco de surtos doenças fatais

Publicado em 28/07/2018 00:07

Segundo pediatra, grupo de maior risco é de crianças de até 4 anos

Por Daniela Trombeta Dias

A preocupação com surtos de doenças que podem ser fatais tem crescido no Brasil e o Ministério da Saúde tem alertado, principalmente sobre a vacinação de crianças contra o sarampo e a poliomielite.
Em entrevista a O Jornal, a pediatra Fernanda Catharino explicou que o sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmitidas pela fala, tosse e espirro, e extremamente contagiosa, mas que pode ser prevenida através da vacinação. “Essa doença pode ser contraída por pessoas de qualquer idade. As complicações infecciosas contribuem para a gravidade do quadro, particularmente em crianças desnutridas e menores de 1 ano. Em algumas partes do mundo, a doença é uma das principais causas de morbimortalidade entre crianças menores de 5 anos de idade”, ressaltou.
Há dois anos, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde o certificado de eliminação da circulação dos vírus. Porém, atualmente, o país enfrenta surtos de sarampo em Roraima e no Amazonas, além de casos já identificados em São Paulo, no Rio Grande do Sul, em Rondônia e no Rio de Janeiro.
De acordo com a pediatra, a poliomielite é causada por um vírus que vive no intestino, o polivírus, que geralmente atinge crianças com menos de 4 anos, mas também pode contaminar adultos. “A maior parte das infecções referentes ao vírus apresenta poucos sintomas, e há semelhanças com infecções respiratórias, como febre e dor de garganta, e ainda gastrointestinais, como náusea, vômito e prisão de ventre. No caso da poliomielite, a infecção acontece por contato direto com pessoas infectadas sobretudo pelas fezes, muco, secreções e também pelo ar. O vírus faz sua reprodução no intestino do hospedeiro e atinge o sistema nervoso central, causando destruição das células nervosas da medula espinhal, levando à perda muscular e paralisia, portanto é uma doença grave que não tem cura, tendo como única prevenção, a vacinação”, enfatizou a médica.
De acordo com ela, a vacinação é feita em bebês em esquema de rotina aos 2, 4 e 6 meses com reforço aos 15 meses através da vacina Pentavalente (SUS) ou Hexavalente (Clinicas particulares). O SUS promove campanhas durante o ano oferecendo a vacina para atualização das cadernetas de vacinação de forma gratuita.
Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações, desde 1990 a poliomielite estava erradicada no país, e o sarampo, desde 2016, o que pode levar muitos pais a crerem que não há risco de contrair tais doenças, o que leva a não prevenção pela vacinação.
“A situação é preocupante e notícias falsas divulgadas na internet levam muitos a acreditar, erroneamente, de que os riscos das vacinas são maiores que os benefícios. É preciso ser responsável e vacinar nossas crianças”, finalizou.

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