Tópicos da Semana – Edição de 14/04/18

Publicado em 14/04/2018 00:04

Por Mário A. S. e Silva.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Bem na foto
Alguns vereadores da nossa Terra do Sol parecem mesmo querer aparecer bem na foto. Até aí, tudo bem, se fosse por algum feito em prol do município, mas o que se observa é uma verdadeira avalanche de postagens nas redes sociais com o título “Estive prestigiando” tal evento, como se isso fosse a coisa mais importante do mundo. Basta um evento, seja ele cultural, esportivo ou de qualquer espécie que, pimba, lá estão eles novamente. Na verdade o que as pessoas que os elegeram, e até o que não votaram neles, querem ver é mais ação e menos caras e bocas. Aparecer por aparecer em eventos até o mosquito Aedes Aegipty aparece…que cansaço que isso dá!!!
Descanso sobre os louros

Não se questiona aqui o fato do vereador aparecer em público, o que muitos se perguntam é justamente o motivo dessa autopromoção, haja vista que as referidas postagens são feitas pelos próprios vereadores. Desta forma, já que a “onda é se aparecer”, que apareçam nas casas dos tantos Joãos, Josés e Marias da cidade, ou mesmo nos diversos bairros do município para saber o verdadeiro anseio da população. Este, sim, é o dever de um vereador, e talvez essa imagem fosse até melhor de ser vista.
Na aba

É inquestionável o trabalho de alguns edis em prol da cidade. Basta ir a uma sessão na Câmara de Vereadores ou então procurar se inteirar dos feitos realizados, dos projetos, das proposituras e das indicações. Muitos buscam o trabalho na sua melhor acepção da palavra, mas outros, pelo que se vê, estão em eterna campanha eleitoral, com direito a suposto vice a tiracolo. Vivem cutucando a Administração, como se qualquer infortúnio fosse o trampolim para os seus sucessos.
Boas novas

Arre égua é uma expressão popular regional designada para caracterizar a aprovação de algo, quando queremos afirmar que até que enfim algo está acontecendo ou acabou de acontecer, e este parece ser justamente o panorama político municipal dos últimos dias, pois após tantos desencontros e desacertos, o que tudo indica é que a Administração e os grupos que a apoia estão começando a se entender. Quem ganha é o povo e a cidade como um todo.
Tragédia

A morte da estudante de Zootecnia da Unesp de ilha Solteira deixou todos estarrecidos, seja pela forma brutal, pelo fato de ter sido esfaqueada pelo menos 15 vezes pelo ex-namorado, aliás, pelo mero fato de ter sido assassinada. A jovem de 17 anos saia de onde morava a caminho do campus da universidade, quando foi abordada pelo suspeito, que estava escondido atrás de uma parede. A cidade se comoveu, o crime repercutiu nacionalmente. Segundo consta, o crime teria sido cometido por ciúmes, pois a moça rompera o relacionamento com o rapaz.
Defesa

Chegamos a um ponto em que matar se tornou um ato banal que, embora “plausível”, está a cada dia mais leviano, irrefletido, como se aniquilar o próximo já não fosse algo de tanta relevância. Muito se comentou nesta semana sobre a questão do porte, ou não, de armas. Enquanto alguns defendem que se a tal moça tivesse um revólver tudo poderia ser diferente, outros preferiram ser mais cautelosos quanto à questão.
Violência

A obliquidade da confirmação a respeito desta questão está, cada dia mais, atuando com todo poderio nas discussões sobre as mudanças no Estatuto do Desarmamento. Quem defende ou se opõe à medida, que facilitará a compra e o porte de armas, usa dados dos mais diversos sobre armas de fogo e violência.
Estatísticas

O intricado é que há uma dose de verdade mesmo nas afirmações mais divergentes, e a prova disso é que podemos hoje afirmar que países entre os mais pacíficos do mundo baniram armas para uso pessoal, como o Japão, onde a taxa de homicídios é de 0,3 por 100 mil habitantes. Na contramão vem o Brasil, pois segundo pesquisas, aqui há oito armas a cada cem habitantes, e a taxa de homicídios é de 20 por 100 mil.
Contramão

Entretanto, a afirmação contrária também é possível. Países como Alemanha, Suécia e Áustria têm 30 armas de fogo por cem habitantes e taxas baixíssimas de homicídio. Honduras, o país mais violento do mundo, tem proporcionalmente muito menos armas, ou seja, seis a cada cem habitantes.
Contramão II

O mérito da questão é saber se armar a população contribuiu ou não para mais violência em um país. Alguns afirmam que cada ponto percentual de aumento do número de armas de fogo resulta num crescimento de 2% do número de vítimas; outros, contudo, mostram números opostos e igualmente convincentes, como é o caso dos Estados Unidos, onde a violência despencou na última década, enquanto a venda de armas de fogo subiu. No Brasil, os estados mais violentos são justamente os que possuem menos armas legalizadas.
Dois pesos…

É cabível ainda, nessa discussão, que as armas de fogo tenham um efeito ambivalente, que aumentem e, ao mesmo tempo, diminuam a violência. O maior porte de armas talvez faça crescer os casos de homicídio e suicídio, mas reduza a taxa de furto, latrocínio e violência contra a mulher, como foi o recente caso da estudante. Porém, nesta dança de estatísticas, cada um acredita no que quiser. Muitos também preferem ficar em cima do muro, até porque o total de armas legalizadas não parece um fator relevante para aumentar ou diminuir a violência em um país. O que determina a criminalidade é o uso da lei, na mais pura definição da palavra.

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