Tópicos da Semana – Edição de 12/05/18

Publicado em 12/05/2018 00:05

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Dá para acreditar?

“A própria, convenhamos, ah, perdão, eu ia falar a história do emprego, né? Então, quando você pega os dados do Ministério do Trabalho, você vê que o emprego está aumentando, mas quando você pega os dados do IBGE a sensação é que o desemprego aumentou. É algo curioso, sabe o porquê o desemprego aumentou? Não é que o desemprego aumentou, é que o desempregado, quando a economia começa a melhorar, ele estava desalentado, portanto não procurava emprego. Ele se transforma em um alentado e vai procurar emprego, e na medida em que vai procurar emprego, e como não há emprego para todos ainda, e ele não consegue o emprego, isso entra na margem do cálculo do IBGE”. Pois é, caro leitor, esta pérola foi solta, nada mais nada menos, por Michel Temer, o Presidente do Brasil Varonil.
Inaptidão para com as palavras

O vídeo em que o “temeroso” profere tamanhas palavras desconexas viralizou na internet nesta semana. Como se não bastasse tamanha estolidez, eis que segue afirmando que “eu até fiz uma reunião na segunda-feira, véspera de feriado, entre a área econômica e a área do trabalho para esclarecer esses pontos interessantes sobre os dados do IBGE. Bem, aumentou o desemprego, é que aumentou o número daqueles que procuram emprego, e aqueles que procuram o emprego alentados que se acham aumenta é porque a economia está melhorando, e eu vejo, veja bem, esse é outro dado importante”. Entendeu, leitor?
Os fatos

No dia 4 deste mês, durante participação em evento na ESPM, faculdade localizada na cidade de São Paulo, o presidente Michel Temer negou que o desemprego tenha aumentado no país, ressaltou que o IBGE vem confirmando a disposição pela busca ao trabalho e que os desempregados estão mais dispostos a procurar emprego.
A declaração do emedebista veio na semana em que o instituto revelou que 13 milhões e setecentas mil pessoas não conseguem ocupação formal. Os dados, relativos ao primeiro trimestre de 2018, indicam aumento na comparação com os três meses anteriores.
Amenizando os fatos

“O que acontece nesses quatro últimos meses é que a abertura de postos de trabalho atingiu mais de um milhão e quinhentas mil pessoas. Se o sujeito vai vender pipoca, abrir um salão de cabeleireiro, é porque tem público. Um público que paga. Então, é uma confiança que vem sendo retomada e que tem repercussão no exterior.
De mal a pior

Sobre a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, o presidente rebateu críticas de que a ação não vem dando resultado e reafirmou que a intervenção foi uma ‘ousadia necessária’. “Eu chamo essa intervenção de cooperativa, porque o próprio governador do estado, o Pezão, veio a mim e disse: ‘por favor, Temer, faça uma intervenção lá na área de segurança’. Claro que o resultado não é de um dia para o outro. Fui secretário de Segurança Pública duas vezes em São Paulo e, para dar resultado, leva seis, sete meses, às vezes um ano. Mas começou a dar resultado, a sensação de segurança. Então, isso é que é preciso ser dito, redito, afirmado, reafirmado, colocado em todos os caminhos, porque as pessoas têm uma concepção um pouco diversa disso que eu estou dizendo”, finalizou o presidente.
À deriva

Ao que parece, no Rio de Janeiro, a intervenção militar não só deu ainda resultado como, de certa forma, fez com que o número de homicídios aumentasse drasticamente. Passados os primeiros 60 dias do decreto que colocou o Rio de Janeiro sob intervenção federal, os primeiros resultados aferidos pelo ‘Observatório da Intervenção’, formado por especialistas e ativistas na área de direitos humanos, é de que a operação como um todo aparenta estar à deriva, sem impacto real na diminuição da violência no estado, que é tradicionalmente visto e usado como laboratório na área de segurança urbana. Tanto é que o relatório foi batizado de “À deriva: sem programa, sem resultado, sem rumo”.
Balas pra cá e pra lá

A iniciativa é fruto da criação e trabalho conjunto do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC/UCAM) e de iniciativas parceiras como o DefeZap, Fogo Cruzado, OTT-RJ e pelo menos 20 outros grupos. Os dados apresentam uma visão em perspectiva da intervenção, que comprova aquilo que os moradores do Rio têm vivido no cotidiano, como fichamentos ilegais e até mesmo revista de crianças por parte dos militares. Um dos dados destacados pela coordenadora do Observatório, Silvia Ramos, foi o aumento de aproximadamente 20% no número de tiroteios após o anúncio da intervenção – foram, ao todo, 1.502 troca de tiros, frente as 1.299 nos dois meses pré-intervenção.
O Brasil morrendo

Outra constatação apresentada foi o aumento do número de chacinas, que têm três ou mais mortos. Foram 12 nos últimos dois meses, totalizando 52 vítimas. No mesmo período do ano passado foram seis chacinas, com 12 mortos.
O Brasil que eu quero…

O Palácio do Planalto nesta semana consultou informalmente a TV Globo sobre saber se a emissora veicularia uma mensagem de Michel Temer no quadro “Que Brasil você quer para o futuro?”, veiculado nos telejornais da emissora. De acordo com o TV Globo, o espaço não é para candidatos.
Rejeição total

O partido de Temer, o MDB, depois de ter lançado a Ponte para o Futuro ainda quando ele era vice de Dilma Rousseff, prepara novo documento com propostas para o país, o Encontro com o Futuro. Seja como for, Temer é rejeitado por mais de 90% dos brasileiros e o ocupante mais impopular da presidência da República desde a redemocratização. O emedebista também foi o primeiro ocupante do Planalto a ser denunciado por corrupção – duas vezes, sendo uma por corrupção passiva e outra organização criminosa e obstrução judicial. Temer corre o risco de ser denunciado pela terceira vez no inquérito dos portos, que apura suposto favorecimento a empresas do setor portuário em troca de propina.

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