Tópicos da Semana – Edição de 2/06/18

Publicado em 2/06/2018 00:06

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Quer intervenção?

Paralisação e protestos à parte, que são legítimos, o triste é ver pessoas nessas manifestações segurando a bandeira pela ‘intervenção militar’. É incompreensível e contraditório alguém participando do ‘manifesto’ e pedindo ‘borrachada nas próprias costas’, porque o militarismo nada mais faz do que ‘calar’, ‘bater’ e ‘matar’ manifestantes’. Vai entender! Puro masoquismo ou analfabetismo político…

Diarreia mental

Não são poucos os boatos que têm circulado no WhatsApp ou Facebook nos últimos dias afirmando que os militares estão prestes a tomar o poder. Por outro lado, muitos, talvez, por desconhecimento de causa, pedem pela “Intervenção Militar Já”, como se ela fosse a grande solução dos problemas do país; como se, ao tomarem o poder, os militares fossem por ordem na casa e, como num passe de mágica, viveríamos felizes para sempre. Falta estudo para os que não viveram aquela época, de 1964 a 1985, ou talvez, para os que viveram, algum remédio para fazer reavivar suas memórias.

Então…

“Eis que um empresário santafessulense, sabiamente, escreve em seu perfil do Facebook o seguinte: Meu cérebro bugou! Às 10:00 horas desta terça-feira peguei a Rodovia Euclides da Cunha, interior de São Paulo, sentido São José do Rio Preto. Passei por três manifestações de caminhoneiros com faixas, pedido intervenção militar e tentando bloquear a estrada … ok… Por volta das 17:30 horas, na volta por este mesmo trajeto os mesmos manifestantes estavam em conflito com a Polícia Militar….
Estranho né?”

Trocando em miúdos

Uma iniciativa do Exército, da Marinha ou da Aeronáutica para garantir ‘a lei e a ordem’ só pode ocorrer a partir de iniciativa dos “poderes constitucionais”, isto é, Executivo, Legislativo e Judiciário. Quando há problemas na segurança pública, por exemplo, o presidente pode acionar os militares por meio de decretos de Garantia da Lei e da Ordem, a exemplo do Rio de Janeiro.

Mas que bicho é esse?

Já a ditadura militar, por sua vez, instaurada em 1964 e endurecida em 1968, mergulharia o país no período mais sombrio da sua história recente. Torturas, assassinatos, repressão marcaram um regime em que as mínimas liberdades democráticas foram esmagadas. Além da ‘morte súbita’ de Goulart no exílio, e que teria voltado somente ao país para ser enterrado, o período militar parece ter sido o mais cruel de toda a nossa história. Vários inquéritos e depoimentos apontaram a tortura física e psicológica como expediente utilizado por membros do governo e grupos militares com o objetivo de controlar a população. Citemos alguns.

Pau-de-Arara

O Pau-de-Arara consistia numa barra de ferro que era atravessada entre os punhos amarrados e a dobra do joelho, sendo o conjunto colocado entre duas mesas, ficando o corpo do torturado pendurado a cerca de 20 ou 30 centímetros do solo. Este método quase nunca era utilizado isoladamente, seus complementos normais eram eletrochoques, a palmatória e o afogamento.

Choque elétrico

O Choque Elétrico foi um dos métodos de tortura mais cruéis e largamente utilizados durante o regime militar. Geralmente, o choque dado através do telefone de campanha do exército que possuía dois fios longos que eram ligados ao corpo nu, normalmente nas partes sexuais, além dos ouvidos, dentes, língua e dedos. O acusado recebia descargas sucessivas, a ponto de cair no chão.

Afogamento

No Afogamento, os torturadores fechavam as narinas do preso e colocavam uma mangueira, toalha molhada ou tubo de borracha dentro da boca do acusado para obrigá-lo a engolir água. Outro método era mergulhar a cabeça do torturado num balde, tanque ou tambor cheio de água (ou até fezes), forçando sua nuca para baixo até o limite do afogamento.

Cadeira do Dragão

A Cadeira do Dragão era uma espécie de cadeira elétrica, onde os presos sentavam pelados numa cadeira revestida de zinco ligada a terminais elétricos. Quando o aparelho era ligado na eletricidade, o zinco transmitia choques a todo o corpo. Muitas vezes, os torturadores enfiavam na cabeça da vítima um balde de metal, onde também eram aplicados choques.

Química

Havia vários produtos químicos que eram comprovadamente utilizados como método de tortura. Para fazer o acusado confessar, era aplicado soro de pentatotal, substância que fazia a pessoa falar, em estado de sonolência. Em alguns casos, ácido era jogado no rosto da vítima, o que podia causar inchaço ou mesmo deformação permanente, isso para não dizer das torturas físicas e psicológicas… Quer intervenção militar? Como diz um amigo: Depois ‘guenta’.

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