Tópicos da Semana – Edição de sábado – 11/08/18.

Publicado em 11/08/2018 00:08

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

A UTI na UTI?

Tão logo foi propagada a notícia do possível fechamento da UTI da Santa Casa de Misericórdia de Santa Fé do Sul os oposicionistas de “butuca”, como sempre, e não poderia deixar de ser diferente, até porque a rixa é meramente política e nada mais, logo saíram por aí comentando que o prefeito de Santa Fé do Sul Ademir Maschio nada ou pouco faz pela entidade, e mais, que, ao invés de assumir a “culpa”, fica por aí “quebrando calçadas”. Muitos, ainda mais afoitos, já afirmaram, e parece até mesmo querer que isso aconteça, que a UTI “morreu ou está nas últimas”.
Senta no rabo…

Não é de hoje, não é desde esta administração, que a Santa Casa vem passando por sérios problemas financeiros. Aliás, foi justamente em outras épocas, em administrações em que o prefeito mandava mais do que Deus, e que impunha goela abaixo, inclusive quem iria administrar aquela entidade, que a “tão sofrida Santa Casa”, como dizem alguns, foi parar na lama. Naquela época tudo podia, o coronel, manipulado pelo “Deus”, mandava, e, é claro, e quase ninguém fiscalizava. Agora estamos pagando as contas salgadas deixadas por pessoas que afirmam ser até hoje os defensores das Santas Casas. Se lembrarmos o que era a Santa Casa há 15 ou 20 anos e vermos como está hoje, veremos que mesmo com tantas dificuldades financeiras que o país vem enfrentando, seu provedor, senhor José Biscassi, toda a equipe administrativa e funcionários, bem como o prefeito Ademir Maschio, têm feito, e muito, pela entidade. Então, tenhamos calma nas palavras.
Desenhando

Os polemizadores sabem, e muito, que os recursos provenientes do Dade – Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias –, ligado à Secretaria do Turismo, dentre outras atribuições, transfere recursos diretos para a execução de obras e programas ligados ao desenvolvimento do turismo, repetindo, turismo, e não pode ser usado, por exemplo, para a Educação, Saúde, dentre outras áreas, e mais, se assim o fizer, além de o prefeito ser severamente penalizado, a cidade deixa de ser Estância Turística, e deixa de receber o repasse anual de quase três milhões. Como se não bastasse, ao perder o título, recai para MIT – Município de Interesse Turístico –, cujo repasse anual é de R$ 600 mil.
Como vem a verba

Vale ressaltar que para que esse montante venha aos cofres da Prefeitura é necessário que todos os anos se faça a elaboração de um projeto para a ampliação da infraestrutura turística, que é previamente aprovada pelo Comtur – Conselho Municipal de Turismo – de Santa Fé. O montante é proporcional ao projeto apresentado, e mais, caso a Administração porventura não apresente o referido projeto, a cidade fica sem o repasse do Dade.
Migalhas governamentais

Atualmente os hospitais filantrópicos, como é o caso das Santas Casas de todo o país, respondem por quase metade das cirurgias e internações feitas pelo SUS – Sistema Único de Saúde-. Entretanto, a tabela de remuneração por procedimentos realizados, que está sem reajuste linear há mais de doze anos, e os subsídios do governo federal não são mais suficientes para manter o pleno funcionamento dessas entidades e, mesmo com a ajuda da população, o que se observa é um crescimento constante da dívida, até porque, queiramos ou não, todos nós precisamos ou somos passíveis de uma internação para intervenções de média e alta complexidade, e os valores desses serviços são muito mais altos do que os repasses governamentais.
Desfalque

Quando o prefeito Ademir Maschio assumiu a Prefeitura, em 2017, e isso já vinha acontecendo desde a administração anterior, era recebido do governo estadual um repasse de R$ 180 mil e assim foi feito fevereiro do ano passado. O repasse foi cessado, e a Prefeitura ficou oito meses sem receber a verba. Após muitas lutas, conseguiu-se fazer com que o governo do estado voltasse a pagar R$ 170 mil, o que foi feito de outubro até março deste ano, ou seja, somente por seis meses, isto é, faz quatros meses que a Santa Casa não recebe a verba. Desta feita, se somarmos, teremos aí uma defasagem de repasse de mais de R$ 2 milhões. Haja ajuda da população, que muito ajuda, para “tapar esse buraco”.
Orçamentos municipais

Segundo o Portal da Transparência das prefeituras e as publicações feitas no início do ano no Diário Oficial dos Municípios, os orçamentos de 2018 seguem da seguinte forma: Santa Fé do Sul, com 31.92 habitantes, R$94.220 milhões; Três Fronteiras, com 5.427 habitantes, R$15,7 milhões; Rubineia, com 3.102 habitantes, R$ 20,370 milhões; Santa Rita D’Oeste, com 2,544 habitantes, R$ 13,8 milhões; Santa Clara D’Oeste, com 2.134 habitantes, R$ 15.640 milhões; e Nova Canaã Paulista, com 1.978 habitantes, R$ 13.230 milhões.
E os repasses?

A Prefeitura de Santa Fé do Sul compra serviços da Santa Casa, que é o teto Mac – Média e Alta Complexidade – e a Administração faz o repasse de R$ 251 mil, além de R$ 150 mil de subvenção para ajudar mantê-la de portas abertas. Em contrapartida, as cidades da Comarca, ou seja, Santa Clara D’Oeste repassa R$ 7.500,00; Santa Rita D’Oeste, R$ 6.000,00, Nova Canaã Paulista, R$ 6.500,00, Rubineia, R$ 6.500,00 e Três Fronteias, R$ 8.000,00, ou seja, se somarmos os montantes vindos dessas cidades também atendidas pela Santa Casa, temos o valor de R$ 34.500,00.
Filantropia

Filantropia é o ato de ajudar o próximo, por meio de várias atitudes altruístas e solidárias que colaboram com o suporte para com outros seres humanos. Doações de roupas, comida, dinheiro e demais ações de caridade são alguns exemplos.
A palavra filantropia se originou a partir do termo grego philanthropia, que pode ser traduzido como “amor ao homem” ou “amor à humanidade”.
Comarca

Muitas cidades da Comarca realizam leilões e afins em prol da Santa Casa de Misericórdia de Santa Fé do Sul, considerando o fato que dela precisamos. Falta, talvez, mais comprometimento de alguns municípios com mais ações públicas ou privadas que visem angariar fundos para uma entidade que é absolutamente de todos nós. O mesmo vale para alguns vereadores e deputados.

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