Tópicos da Semana – Edição de sábado – 27/10/18

Publicado em 27/10/2018 00:10

Tópicos da Semana – Edição de sábado – 20/10/2018

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva.
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Agora vai
Daqui a aproximadamente 36 horas o Brasil e o mundo conhecerão o mais novo presidente do Brasil, em um momento em que o país enfrenta a maior crise de toda a sua história e banhado por um panorama composto por eleitores que hoje têm acesso irrestrito às mídias sociais. Devido ao acesso fácil à internet, nunca na história deste país se viu tantas brigas por causa de política, muito menos tantos políticos de estimação, sem contar as famosas Fake News. Alguns internautas parecem não ter emprego, uma vez que, mesmo em seus “trabalhos”, se tornaram verdadeiros cabos-eleitorais de seus ídolos amados e venerados. Estamos hoje de olho em tudo. Estamos mais críticos, sim, e mais descrentes também, e, acima de tudo, cansados de ver o nosso dinheiro sendo roubado indiscriminadamente. E mais, não aceitamos mais lorotas e grandes promessas.
Com quem será?
Seja quem for o vencedor da batalha presidencial, haverá muita festa pelo país afora, e olha que muitos já estão esperando esta festança desde o primeiro turno, quando acreditavam que o presidenciável Jair Bolsonaro já sairia como presidente do Brasil. O fato é que o capitão da reserva do Exército e deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro por sete mandatos, mesmo excêntrico em suas falas, tem arrebatado milhões de seguidores, e eleitores, é claro. Na contramão, Fernando Haddad, que, diante da cassação da candidatura de Lula, haja vista que seria seu vice, assumiu o posto de candidato à presidência, e pelo menos nas pesquisas de intenção de votos tem subindo ao ranking. O PT, mesmo com boas ideologias, se sujou, e muito, e isso ninguém pode negar, mas Haddad, inteligente, tem conseguido aumentar seu número de eleitores, então como dizia meu saudoso pai, “a eleição só termina às 17:00 horas do domingo”.
Somos mudança
O país necessita de mudança, evidentemente, e olha que estamos necessitando de transformações políticas, sociais e econômicas há muitos séculos, amém. Temos o que podemos chamar de dois verdadeiros opostos, política e ideologicamente falando, mas é ululante que atualmente somos muito mais fortes se o eleito meter os pés pelas mãos, e, com certeza, iremos às ruas pedir por um país mais justo. Porém, cautela nesta hora, e voto de confiança também, não irá fazer mal a ninguém. E, ao eleito, se “queimar o filme”, poderemos até pintar nossas caras novamente contra a corrupção, roubalheira e falcatruas existentes desde a época de Cabral.
De olho na história
Já passamos pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, pelos infindáveis casos de corrupção envolvendo todo e qualquer partido, pela prisão do ex-presidente Lula, e hoje estamos neste mar de lama. Grande parte dos brasileiros ainda lembra-se do movimento de impeachment de Collor, embora muitos eleitores de hoje também nem haviam nascido naquele momento da nossa história, uma vez que ocorrera no final de 1992. Eleito nas eleições de 1989 (as primeiras eleições diretas para presidente desde 1960) e prometendo atender os anseios de um povo recém saído do Regime Militar (1964 – 1985), Fernando Collor de Mello tomou posse da cadeira de Presidente da República em 1990. Sendo um político de articulação restrita, Collor montou um ministério recheado de figuras desconhecidas ou sem nenhum respaldo para encabeçar os desafios a serem resolvidos pelo novo governo.
Radicalismo
De imediato estabeleceu medidas econômicas radicais para tentar combater um dos principais problemas da economia do país: a inflação, que na época chegava a surreais 1.700% ao ano. A principal dessas medidas foi o confisco das poupanças por um período de 18 meses. A ideia era diminuir a quantidade de moeda em circulação e, desse modo, preservar seu poder de compra. A estratégia não deu certo, já que a inflação continuou um problema ao longo de todo o governo, o que, claro, deixou a população completamente insatisfeita. Ainda por cima, já em 1991 surgiram denúncias de corrupção envolvendo pessoas próximas a Collor, como a sua esposa, Rosane Collor.
E mais
Em maio de 1992 estourou a denúncia que levaria o governo Collor a um fim prematuro. O irmão do presidente, Pedro Collor, concedeu entrevista à revista Veja acusando-o de manter uma sociedade com o empresário Paulo César Farias, tesoureiro de campanha de Collor. Segundo Pedro, o tesoureiro seria o “testa de ferro” do presidente em negociações espúrias, ou seja, aquela pessoa que faz a intermediação de transações financeiras fraudulentas, a fim de ocultar a identidade de quem realmente as contrata.
E fomos de CPI
Em junho de 1992, o Congresso instaurou uma CPI só para tratar das atividades de PC Farias. Com o desenrolar dos trabalhos da comissão, as acusações de Pedro Collor foram ganhando substância, com muitas provas de transações ilícitas ligando PC Farias a Collor. Surgiram os caras-pintadas, um movimento essencialmente estudantil com o claro objetivo de tirar o presidente do poder. Em agosto de 1992, começam a ser feitas grandes passeatas, reunindo inicialmente 10 mil pessoas, depois 30 mil, até chegar à marca de 400 mil pessoas em uma passeata em São Paulo, no dia 25 de agosto.
Impeachment
Uma das manifestações mais marcantes ocorreu no dia 16 de agosto daquele ano, dois dias depois de Collor aparecer em cadeia nacional para pedir que o povo fosse às ruas de verde e amarelo para defender seu governo. Ao invés disso, os manifestantes apareceram de preto, em sinal de luto pelos escândalos de corrupção do governo. O movimento foi apoiado por diversos setores da sociedade. As manifestações continuaram a crescer no mês de setembro, quando um pedido de impeachment foi elaborado e entregue à Câmara dos Deputados. No dia 29 de setembro, a Câmara aprovou o pedido por ampla maioria e o processo foi aberto. Naquele dia, estima-se que milhões de pessoas haviam aderido ao movimento dos caras-pintadas, saindo às ruas com o rosto pintado de verde e amarelo para pedir a saída do presidente.
Afastamento
Com a abertura do processo de impeachment autorizado pela Câmara, Collor foi afastado do cargo dias depois. Em seu lugar assumiu o vice-presidente Itamar Franco. Enquanto isso, o Senado apurava se Collor havia cometido ou não um crime de responsabilidade. O processo durou três meses somente. Com a condenação iminente no Senado, Collor resolveu renunciar ao cargo, no dia 29 de dezembro de 1992, para evitar a inelegibilidade nos oito anos seguintes. Mesmo com a renúncia, o Congresso votou a favor da perda dos direitos políticos do ex-presidente, afastando-o de cargos eletivos pelo resto da década de 1990.
Corrupção
O impeachment de Collor teve como início um escândalo de corrupção que estava diretamente ligado ao nome do presidente, mas o pano de fundo dessa história teve como ingredientes indispensáveis à fraca sustentação política do governo, com poucos partidos de peso apoiando o presidente, além da profunda crise econômica do país, que havia piorado com as medidas controversas adotadas pelo próprio governo Collor. Tudo isso causou grande insatisfação popular, além de gerar uma forte oposição ao presidente no Congresso. Esses são típicos elementos que podem levar ao impeachment de uma figura pública. Então, seja quem for, Haddad ou Bolsonaro, segurem as calças, pois somos agora como o Timão: um bando de loucos, e não mais um bando de estultos.

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