Tópicos da Semana – Edição de sábado – 3/11/2018

Publicado em 3/11/2018 00:11

Por Mário Aurélio Sampaio e Silva.

Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Agora, calma…

Passados os primeiros dias da eleição do futuro presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, se por um lado os favoráveis já estão mais calmos, principalmente nas redes sociais, no que tange as publicações favoráveis à sua vitória, por outro, os opositores também parecem estar começando a entender que em um país democrático, para haver o vencedor terá de ter o perdedor e, por mais que repitam frases prontas como “essa culpa eu não carrego”, ou “eu avisei”, aos poucos temos que entender que o momento não é mais de críticas ferrenhas, mas, sim, de apoio ao novo presidente, até porque, como ele próprio já mencionou, pretende governar para todos, com pulso firme, é claro, mas sem distinção de cor, credo, sexo etc. Estamos então no mesmo barco, ops, avião, então nãocontibuamos para que ele caia…
Articulações

Já começaram a haver todas as articulações para a montagem do novo governo, inclusive as questões de transição, e isso é perfeitamente democrático também, mas talvez o que tenha pego muita gente de surpresa no dia seguinte de sua eleição foi justamente o fato de Bolsonaro, após entrevista concedida a Rede Record no início da noite de segunda-feira, dia 29, tenha dado uma longa entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, e, sem arrogância, aliás muitos esperavam que assim ele agisse, mostrou claramente que o que pretende é tentar colocar ordem neste país tão esfacelado há décadas. Portanto, cabe aos brasileiros se desarmarem de ódio e dar a ele e sua equipe o que chamamos votos de confiança. Bolsonaro falou calmamente para a maior rede de televisão do país, a mesma que após críticas infindáveis, nas entrelinhas, é claro, ao até então presidenciável Jair Messias Bolsonaro, em entrevista no dia 28 de agosto, antes das eleições do primeiro turno.
Antes pedras, agora rosas

Logo no início o âncora do JN, William Bonner, ao dirigir-se ao 38º presidente da República Federativa do Brasil, disse que “queremos aproveitar aqui a sua disposição para acalmar os ânimos que andaram tão acirrados ao longo dessa campanha. No primeiro dia depois do segundo turno, o senhor disse aqui no Jornal Nacional que será um escravo da Constituição de 1988. No último sábado, dia 27, na sua última aparição nas redes sociais antes da eleição, o senhor estava com um exemplar da Constituição nas mãos e reiterou que todas as suas ações seguirão os postulados da Constituição. No seu discurso da vitória de domingo, dia 28, o senhor disse que vai defender as liberdades e vai defender a democracia. Diante disso tudo, o que é que o senhor diria a aqueles que ainda insistem em dizer que a sua eleição é um risco para a democracia?”
Honra à Constituição

Mais uma vez, com um semblante cansado, inerente de quem vem de uma campanha talvez nunca vista em toda a história deste país, porém tranquilo, Bolsonaro aproveitou para dizer que agora as eleições já acabaram e que não é mais momento de mentiras e de fake news. Reafirmou que quer governar para todos, e não apenas aos que a ele depositaram seu voto, e mais, afirmou que temos uma Constituição que tem que ser respeitada ao máximo, pois somente assim todos poderão conviver em harmonia.
Gays, negros e nordestinos

Sabemos também que o novo presidente já teve a oportunidade de se desculpar por palavras mais fortes que usou em sua pregação sobre um projeto polêmico de educação sexual nas escolas, inclusive com pedidos de desculpas no próprio JN, por ter se excedido no calor das discussões, e, em outra ocasião, disse enfaticamente não ter nada contra os gays, e mais, disse que vai lutar contra aqueles que querem dividir o Brasil entre homos e héteros, entre brancos e negros, entre sulistas e nordestinos, e para aqueles que usam da agressão verbal ou até mesmo física, pretende promover uma punição nas formas da lei.
Kit Gay

O presidente eleito também foi claro com o que poderíamos chamar de um dos mais polêmicos assuntos ao seu redor: o famoso Kit Gay. Sobre isso, Bolsonaro afirmou que foi contra a um kit feito pelo então ministro da Educação, Haddad, em 2009 para 2010, onde chegaria nas escolas um conjunto de livros, cartazes e filmes onde passariam crianças se acariciando e meninos se beijando. “Não poderia concordar com isso, e a forma como eu ataquei essa questão é que foi um tanto quanto agressiva, porque eu achava que aquele momento merecia isso. Bem, tivemos, em parte, sucesso, porque no ano seguinte, a própria presidente Dilma Rousseff, depois de ouvir as bancadas evangélica e católica, resolveu recolher esse material, mas o rótulo ficou em cima de mim”, ressaltou.
Imprensa

Sobre a liberdade de imprensa, sempre se posicionou totalmente favorável, e mediante isso William Bonner pontuou “Presidente, o senhor sempre se declara, enfaticamente, aliás, um defensor da liberdade de imprensa. E sobre o jornal F. de São Paulo, que segundo o novo presidente só promovera notícias falsas ao seu respeito, não terá apoio algum”, e Bolsonaro disse que o jornal por si só já acabou, haja vista ter perdido toda e qualquer credibilidade por grande parte da população brasileira.
Fiscalizando

Voltando ao assunto dos ditos por aí, como “essa culpa eu não carrego” ou “eu avisei”, o que muitos oposicionistas têm afirmado agora é justamente não tratar de sabotar o governo, até porque a oposição, por si só, sempre serviu para equilibrar todo governo. Evidentemente que se este governo for muito ruim, o que esperamos que assim não o seja, todos sairemos perdendo, porém é necessária uma fiscalização com muito esmero, até porque, ao que parece, muitos não querem voltar a época da ditadura, então sigamos em frente, na esperança de que teremos um Brasil melhor, e porque não acreditar? O tempo é, sim, de renovação.

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