Tópicos da Semana – Edição de sábado – 2/02/19

Publicado em 2/02/2019 00:02

Por Lelo Sampaio
Charge: Leandro Gusson (Tatto).

Haja lama
Um verdadeiro e triste lamaçal. Esta está sendo a imagem do Brasil mundo afora. Tudo em nome da ganância, do poder e do “jeitinho brasileiro” de sempre caminhar “empurrando com a barriga” até ver onde isso ou aquilo vai dar. Até que o pior acontece, como foi o caso do rompimento da barragem 1 da Mina do Feijão, em Brumadinho (MG). Cenas de verdadeiro filme de terror, sim! Cenas inimagináveis, sim! Cenas, principalmente, que poderiam ter sido evitadas não fossem alguns porcos que, de uma forma ou de outra, ainda detém o poder. A sensação é de pura sujeira, na melhor (ou pior) acepção da palavra, um nítido lamaçal neste querido Brasil que muitos afirmam amar mais do que o próprio bolso. Contem-nos outra…
Punições
Cinco pessoas foram presas na manhã da última terça-feira, dia 29, suspeitas de responsabilidade na tragédia da barragem 1 da Mina do Feijão, em Brumadinho (MG), que se rompeu na sexta-feira da semana passada, dia 25. Dois engenheiros da empresa TÜV SÜD que prestavam serviço para a mineradora Vale foram presos em São Paulo. Em Minas, foram presos três funcionários da Vale.
Vale quanto pesa
Os investigadores do Ministério Público e da polícia apuram se documentos técnicos, feitos por empresas contratadas pela Vale e que atestavam a segurança da barragem que se rompeu foram, de alguma maneira, fraudados. Por meio de nota, a Vale informou que “está colaborando plenamente com as autoridades”. “A Vale permanecerá contribuindo com as investigações para a apuração dos fatos, juntamente com o apoio incondicional às famílias atingidas”, diz a nota divulgada após a prisão dos engenheiros.
Boca calada
Também por meio de nota, a Tüv Süd Brasil, responsável pelas análises de segurança da barragem, informou que “não irá se pronunciar neste momento e fornece todas as informações solicitadas pelas autoridades”. A Tüv Süd Brasil informou, ainda, lamentar “profundamente o rompimento da Barragem 1 da Mina de Córrego do Feijão”. Segundo a empresa, foram feitas duas avaliações da barragem a pedido da Vale: “uma revisão periódica da segurança da barragem (junho de 2018) e uma inspeção regular da segurança da barragem (setembro de 2018)”.
Na surdina…
O fato é que não podemos permitir que as apurações do crime ambiental em Brumadinho sejam realizadas “sobre segredo de justiça”, como é comum em casos que envolvam figurões ou políticos de nome. Que venha a público, e logo, o tal Laudo de Vistoria fornecido por uma empresa alemã, entregue há 5 meses, que garantia a estabilidade da barragem.
A Cesar o que é de Cesar
Uma coisa é indiscutível. O governo federal está presente, as ações estão rápidas e cabe a nós, brasileiros, não deixarmos que isso tudo caia no esquecimento, como ocorreu com Mariana. Só tivemos o caso de Brumadinho porque afrouxamos com Mariana.
Contra fatos não há argumentos
No dia do rompimento da barragem em Mariana, ocorrida no dia 5 de novembro de 2015, Dilma estava em Alagoas para a inauguração do terceiro trecho do Canal do Sertão, obra hídrica para transporte de água do rio São Francisco para o interior do estado. Estava acompanhada do ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi. Ambos retornaram a Brasília na tarde do dia 5, conforme estava agendado. Occhi visitou o local atingido pela tragédia em Mariana, acompanhado do então governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, no dia seguinte.
Relembrando
A ministra do Meio Ambiente, na época, Izabella Teixeira, só sobrevoou a região pela primeira vez ao lado de Dilma, no dia 12. Antes, disse à imprensa que a responsabilidade ambiental era da empresa. Pimentel também foi criticado em 2015 por dar coletiva de imprensa no dia 8 de novembro na sede da Samarco, a empresa responsável pelas barragens que romperam. Ricardo Vescovi, presidente da Samarco em 2015, compareceu à usina no mesmo dia do acidente e gravou um “comunicado à sociedade”. No material publicado na conta do Facebook da empresa, ele confirma o rompimento de duas barragens e fala sobre um plano de ação da empresa feito em conjunto com o Corpo de Bombeiros e “autoridades competentes”. Mas só no dia 11 deu uma coletiva de imprensa em conjunto com o presidente da Vale, Murilo Ferreira, e Andrew Mackenzie, presidente da mineradora australiana BHP Billiton. As três empresas formavam o conglomerado responsável pela Samarco. A Vale divulgou uma nota no dia 6 de novembro, um dia após o acidente, e Murilo Ferreira sobrevoou o local no dia 7, mas se manteve em silêncio até o dia 11.
“Este Meio Ambiente”…
Fomos obrigados a ouvir mais uma pérola do que está ministro do Meio Ambiente: “Esse acidente mostra que não temos que perder tempo com burocracias de licenciamento para atividades de baixo impacto, como desmatamento para implantação de agricultura. Essas podem ser auto declaratórias (sic). Devemos nos preocupar com as de médio e grande impacto”.
Pérolas
Não, senhor ministro. Temos que nos preocupar e dar condições, sem a influência da política e do capital sujo, para que todos os licenciamentos sejam isentos e tenham condições para a fiscalização de seu cumprimento. Ao que parece, a cada dia, muitos se surpreendem mais, haja vista que os “grandões” não aprendem nem enquanto choram a morte de centenas de trabalhadores por mais um crime ambiental no Brasil.
Sem cor
Não queiram colocar cor partidária nesse crime ambiental em Brumadinho. A cor é verde e amarela agora acrescida do marrom dos rejeitos. É um crime da cor do descaso com o meio ambiente que nosso país tem. É um crime com a cor da corrupção, que está enraizado em todas as esferas de poder. É um crime com a cor de uma sociedade onde quem manda é quem detém o poder da corrupção. É um crime que tem a cor de uma sociedade que vota, iludida em promessa de marqueteiros. É um crime verde, amarelo e marrom, e vermelho, é claro.
Sob o leite, ops, resíduo derramado
Os “laudos comprados” aliados à falta de fiscalização, o jeitinho brasileiro, a influência do capital sobre as exigências mitigatórias e a total falta de punição aos poderosos, leva a crimes ambientais como esse, que agora o Brasil chora sobre o resíduo derramado! E dizem que a legislação ambiental sufoca o país. Vá tentar respirar sob 13 milhões de m³ de rejeitos de mineração para sentir o que é sufoco!!!!
Os “ecochatos” não deixam o Brasil progredir…
Agora Ibama não vai mais multar. Agora não precisará mais de licenciamento ambiental. “Leis ambientais impedem o progresso do Brasil”. Pois bem, com tudo que temos ainda acontecem barbaridades como essas, imagina com o desmanche ambiental que estão colocando em prática. Nenhum programa de prevenção, nenhum programa emergencial de contenção, absolutamente nada, apenas desculpas. É crime, não é tragédia, não é acidente. Mais uma vez o Brasil chora e os menos favorecidos pagam o preço com suas vidas.

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